Publicado por: Duarte | 7 Abril, 1998

Informação e Comunicação na Modernidade (I)

De acordo com Alvin Toffler, “O conhecimento é a mais democrática fonte de poder“, tal como o têm dito outros autores, mas de forma diferente, nomeadamente, que “Saber é poder”, “Quem tem a informação tem o poder”, ou ainda, que “O segredo é alma do negócio”. Na actualidade, as denominadas “auto-estradas da informação” estão a provocar uma revolução no mundo dos negócios, como refere Giddens na sua obra “As consequências da modernidade”, quando diz, “estamos a deslocar-nos de um sistema baseado no fabrico de bens materiais para um mais centrado na informação”.

Os serviços em ON LINE, já implantados nos países mais desenvolvidos e em permanente evolução, permitem concluir que estamos no início desta revolução.

Para muitos é impensável viver hoje sem: computador pessoal; sistema de tratamento de Texto; telefone móvel; fotocopiadora; impressora; fax; gravador de vídeo; acesso às dezenas de canais de televisão; CD-ROM; navegar na Internet; sem recurso a banco de dados, ou utilização de gráficos, para não falar dos cartões de crédito, da música estereofónica e dos CD audio, das dezenas de rádios em FM, ou das centenas de publicações especializadas.

Do passado são os computadores gigantescos e lentos, a máquina de escrever que nos obrigava a recomeçar uma carta, ou um relatório, sempre que era necessário corrigir um erro, ou introduzir acréscimos, aos teletextos, cópias a papel químico, Televisão a preto e branco, ou discos de 33 e 45 rotações.

No sector quaternário, separação do comércio e serviços tradicionais de tudo o que de novo surgiu nas últimas décadas, cabe o que a Telemática (telecomunicações e informática), nos trouxe a mais, sem deixar de referir, num plano mais vasto, os avanços na química, na física, biotecnologia e na genética.

Para diversos autores, a matéria-prima da Terceira Revolução é algo de progressivamente material: a INFORMAÇÃO.

A INFORMAÇÃO não se reduz, nem se confunde, com o que nos chega pelos jornais, pela rádio ou pela Televisão.

Importa fazer uma clara distinção entre Informação e Comunicação, pois, tal como refere o Prof. Adriano Rodrigues, na sua obra “A experiência Cultural na Era da Informação”, estamos perante realidades distintas.

A vida quotidiana, os comportamentos e motivação individuais e de grupos, as opções políticas e culturais, estão ligadas ao fenómeno informativo e do modo como ele é comunicado.

Temos, obrigatoriamente, que distinguir não só o que são meios de comunicação como o que é Comunicação e Informação.

A questão de fundo que se nos coloca é saber se caminhamos para “a uniformização com a comunicação”, ou para “a universalização da informação”, como refere Peter Drucker, na sua obra “Inovação e Gestão, uma concepção de Estratégia do Emprego”.

É nesta dicotomia Comunicação versus Informação que importa referir que estamos perante um claro processo de autonomização destes domínios, pois, como refere o Prof. Adriano Rodrigues, “costuma assimilar-se, erradamente, o domínio da Informação ao da comunicação, embora tenham aspectos comuns, estes dois domínios da experiência referem-se, no entanto, de maneira cada vez mais evidente, a realidades distintas”.

De facto, na experiência comunicacional intervêm processos de “Interlocução” e de “Interacção”, que têm por função criar e alimentar, assim como restabelecer os laços sociais e a sociabilidade entre indivíduos e grupos sociais que partilham os mesmos quadros da experiência de um passado comum.

Ou seja, muitos dos actos comunitários não comportam a troca de quaisquer mensagens informativas, como é o caso de darmos os bons-dias a alguém, ou quando se divulga o horário das farmácias, assim como o funcionamento dos semáforos, ou ainda o hastear de uma bandeira, são sim comunicações com que dependem as regularidades da vida colectiva e as solidariedades, que permitem uma vida comum. As relações comunicacionais são em grande parte previsíveis como o saudar ou dar flores a quem faz anos, o indicador do depósito do carro, o alerta da agenda electrónica e estão reguladas por regras culturalmente estabelecidas, tais como: Normas; Regulamentos; Leis; práticas; etc. ou seja, não vêm acrescentar nenhum saber à enciclopédia dos conhecimentos que temos da marcha do mundo.

Inversamente, o domínio da Informação é regido por regras de imprevisibilidade, pois, como é referido pelo Prof. Adriano Duarte, “quanto menos provável for a ocorrência de um facto, de um comportamento, ou de um discurso, tanto mais informativa ela será“.
Os factos e acontecimentos dos processos informativos são de natureza imprevisíveis, logo, o acontecimento sendo não previsível é informativo e quanto menos previsível, ou provável, for a ocorrência, mais informativa será, ou seja, dá-se um acréscimo do saber na enciclopédia dos conhecimentos.

Estamos assim perante a oposição entre a natureza espectacular da informação mediática e a natureza habitual dos processos comunicacionais.

Deste modo, fácil é de compreender que pode ser difundida muita comunicação, sem termos acesso à Informação que constitua a enciclopédia dos saberes.

O esclarecimento, ou o obscurantismo podem resultar da forma como recebemos informação ou comunicação.

A motivação, a solidariedade, a apatia, ou a indiferença, podem ser geradas consoante as questões nos sejam colocadas.

É ainda do Prof. Adriano Rodrigues a afirmação que “só através da inserção colectiva destes saberes em projectos que se insiram em quadros culturais comuns, que definam, nomeadamente, o horizonte da experiência colectiva, as necessidades e as possibilidades de agir, as urgências relativas da acção, poderá a humanidade de hoje, e cada uma das comunidades humanas, adequar a experiência comunicacional ao domínio da informação mediática disponível”.

Na segunda parte deste artigo com a designação “Consequências Políticas e Éticas da Visão Instrumental da Informação” procurarei dar o sentido prático ao exposto nesta.

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