Publicado por: Duarte | 11 Abril, 2000

Com “Inimigos” Destes . . .

Iniciou o actual Primeiro Ministro um segundo mandato, com reforço da sua posição política na Assembleia da República, onde detém tantos deputados como o conjunto dos restantes partidos com assento nesse órgão.

Não detendo a maioria absoluta está, contudo, na posição confortável de não poder ser derrubado, o que lhe confere uma estabilidade que o primeiro Governo não teve.

Estiveram assim os partidos da oposição , da esquerda, centro e da direita, confrontados com a necessidade de alterar a sua estratégia, com o objectivo de criar condições para a substituição do Governo, no próximo acto eleitoral.

Curiosamente, o método, a estratégia e a táctica utilizadas têm sido idênticos para o conjunto dos partidos da oposição parlamentar. O que à partida causa a máxima perplexidade aos cidadãos.

Não estando o País em descalabro económico, social e político, não se encontram razões compreensíveis para esta forma de actuação.

Alguns serão tentados a encontrar diferenças nas posições dos partidos da oposição, em partes específicas de cada dossier, que sendo verdade não deixa também de o ser, que, no conjunto, têm concertado as suas críticas com o objectivo comum de degradar a imagem do Governo.

Para tanto, têm optado por uma prática de criticar toda a actividade e iniciativas do Governo, independentemente da sua bondade, considerando sistematicamente a mesma, negativa e atentória dos interesses do País e dos portugueses.

Começa por ser evidente que esta estratégia conduz a posições de que o Governo fez mal, se decidiu de uma maneira determinado problema, mas teria feito igualmente mal se a decisão fosse a inversa, ou qualquer outra. Ou seja, a sensação que temos é a de que o Governo como diz o ditado “é preso por ter cão ou por não ter”.

Com esta forma de intervir, apresentando, permanentemente, um cenário de tragédia que os portugueses não vêem traduzido no seu dia a dia, tem levado à descredibilização, isso sim, do conjunto dos partidos da oposição.

A confirmá-lo estão as sondagens, regularmente publicadas, com destaque para as do Semanário Expresso.

A confirmar esta leitura veja-se o caso paradigmático dos aumentos dos combustíveis.

É do conhecimento público de que os produtores de petróleo bruto, ao reduzirem a produção provocaram um enorme aumento do seu preço, nos mercados internacionais.

Este aumento não tem a ver com o seu custo de produção, mas sim pela regra comercial resultante da diferença entre a oferta e a procura, e esta resultou de decisão política dos países produtores de Petróleo.

Não tendo havido razões naturais na produção para o aumento, mas políticas, a haver um protesto ele teria que ser feito aos governos produtores e não aos governos que são vítimas dessas decisões políticas, ao ter que reflectir nos consumidores o acréscimo, agora natural, que tiveram que suportar com a sua aquisição.

Sobre esta questão os partidos da oposição nada disseram, mas sabem.

O que foi público, das suas posições, foi a campanha  de protesto antecipado contra aumentos “previsíveis” de 40$00 para a gasolina, o que na sua opinião correspondia a um saque à bolsa dos portugueses.

Este cenário pessimista não se confirmou, mas sim os 17$50 para a gasolina e 15$00 para o gasóleo.

Então o discurso passou a ser outro, que “este aumento brutal” podia ter tido outro impacto, se tem sido gradual, ao longo do ano de 1999.

O que não disseram aos portugueses é de que, se o Governo tivesse tido esse procedimento, o valor já pago em aumentos teria sido de nove milhões de contos, e como diz um amigo meu “nunca fui adepto de pagar dívidas ou encargos antes do termo do prazo que tenho para o fazer, pois o dinheiro está sempre melhor do lado de cá” .

Também escondem que os aumentos situaram o preço do gasóleo, em Portugal, no valor mais baixo da Europa Comunitária, e a gasolina na 4ª mais baixa da Europa, como se pode verificar no mapa anexo publicado no Semanário Expresso de 1 deste mês.

É contudo com estupefacção que ouvimos a afirmação obreirista do Prof. Cavaco Silva, quando lhe perguntaram que comentário fazia aos aumentos  dos combustíveis, tendo em conta que estes se situavam nos mais baixos da Europa Comunitária.

Referiu o Professor que sim, mas na Alemanha os trabalhadores com a mesma actividade profissional ganhavam três vezes mais.

É lamentável que um economista ponha em causa princípios elementares da sua formação técnica sobrepondo posturas meramente políticas para benefícios partidários a questões de rigor técnico.

É do conhecimento de qualquer leigo que os preços dos produtos de comercialização internacional, como o petróleo, cobre , café e outros, são idênticos em todo o mundo, sendo as pequenas diferenças no consumidor resultantes de uma maior ou menor incidência fiscal sobre o produto.

Contrariamente, os vencimentos e rendimentos dos trabalhadores e das empresas, resultam de uma maior ou menor produtividade de trabalho e do nível de desenvolvimento em cada país.

Senão vejamos. Se na Alemanha os trabalhadores ganham três vezes mais que nós, pagando mais ou menos o mesmo pelos combustíveis, em Cabo Verde, por exemplo, pagando também o mesmo pelos combustíveis os trabalhadores ganham quatro vezes menos que nós, pois o seu nível de produtividade e de rendimento da sociedade é significativamente menor que o nosso.

Esta forma de fazer política vira-se contra os seu promotores, que não têm sabido reconhecer alguns êxitos do actual Governo nem tirar partido dos mesmos, procurando associar-se a aspectos positivos, que contribuiriam, então sim, para  credibilizar as críticas, algumas justas, que têm produzido.

A imagem miserabilísta  da situação do País  e o descalabro da actuação do Governo, que não têm a mesma tradução aos olhos dos portugueses, não abonam a favor dos dirigentes partidários da oposição parlamentar, e é pena, porque um regime democrático e pluralista, em que a alternância do poder é importante, para os incentivos económicos e sociais das pessoas e das organizações, está fisicamente comprometida enquanto se mantiver a actual geração de lideres partidários ávidos de poder, mas sem credibilidade.

Para o actual Primeiro Ministro, aplica-se o ditado, “com inimigos destes não precisa de ter amigos” .


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