Publicado por: Duarte | 7 Julho, 2000

Vêm Aí Os Imigrantes…

Nos últimos dias, muito se tem escrito sobre este tema, a propósito da intenção do Governo de legislar no sentido de que no nosso país um imigrante para exercer uma actividade profissional tenha que ter um Contrato de Trabalho.

Os que discordam da pretensão do Governo alegam que por esta via o Governo identifica quem está nesta situação, controlando assim a sua permanência ou expulsão do país, após o termo do prazo concedido.

O Governo diz que por esta via os direitos dos trabalhadores imigrantes passam a estar defendidos, pois não terão que se submeter a qualquer exigência ilegítima do empregador por se encontrarem em situação de total ilegalidade.

Não é nenhum destes aspectos que pretendia abordar na problemática da imigração para o nosso país e por extensão para o espaço Europeu, mas sim, quais as suas vantagens ou inconvenientes, para a nossa cultura, para o nosso bem-estar e para a nossa economia, face aos imigrantes que todos os dias aqui se instalam.

Valerá então a pena começar por analisar qual o reflexo e consequências da imigração nos países em que a mesma ocorre de forma regular há longas décadas, como é o caso dos E.U.A., do Canadá, da Austrália e até determinada altura  da própria África do Sul.

Tirando este último país, todos os outros continuam a aceitar, anualmente, quantidades elevadas de imigrantes, embora de forma mais selectiva.

Se me perguntarem porquê, direi simplesmente, porque fizeram contas, tendo concluído que a sua prosperidade e o elevado crescimento económico, social, técnico e científico resulta em grande parte de uma continuada política de imigração.

O mito de que o crescimento económico dos referidos países era resultante, fundamentalmente, de uma melhor organização da sociedade, é posto em causa quando a UNESCO, na década de 60/70, quantificou o elevado valor de transferências,  que todo o mundo fez para esses países.

Nessa ocasião a estimativa que esse organismo da ONU fazia com os encargos que um país tinha com a alimentação, educação, tempo perdido no trabalho pelos pais, vestuário, habitação, saúde, vacinação e outros encargos, de um cidadão desde a nascença até à idade de 18 anos, quando inicia a sua função de reprodução económica, era de 12.000 contos para um trabalhador indiferenciado, 15.000 contos para um quadro médio e 20.000 contos para um quadro superior.

Na posse destes números fácil é de perceber que Portugal  ao ter colocado um milhão de portugueses em França, nas décadas de 60/70, entregou aos franceses, nessa ocasião, 1.000.000r12.000 contos = 12.000.000.000 contos (doze mil milhões de contos), ou seja, os franceses receberam a custo zero, máquinas/humanas/ reprodutivas, no valor de doze mil milhões de contos, com os quais não gastaram um tostão na sua aquisição, (nem sequer pagaram o transporte) e que uma vez em França passaram a produzir, limitando-se , os franceses, a pagar a conservação e manutenção dessas “máquinas humanas“.

Dirão alguns que cá no nosso país não tinham trabalho, assim sempre ganhavam algum, o que não deixa de ser verdade.

O que destacamos é que pobres e prejudicados são os países que “exportam”  cidadãos, pois quem beneficia com a imigração são os países receptores.

Por este exemplo, fácil é de concluir que os EUA, Canadá e Austrália, têm estado a receber inteiramente de borla biliões e biliões de contos de “máquinas humanas“, com as quais não tiveram encargos, que estão na base da sua prosperidade económica.

Presentemente, estes países (a UE também para lá caminha), tendem a conceder permissão de imigração a pessoas altamente qualificadas, restringindo a entrada aos não qualificados, como o descreve uma notícia no Público de 24/04/2000 ao referir que “os EUA concedem vistos de trabalho a 100.000 indianos por ano, 90% dos quais Técnicos de informática”, ou o Expresso de 24/06/2000, quando diz que “o Governo Alemão aprovou a autorização de estada e contrato por cinco anos a 20.000 especialistas estrangeiros, em Tecnologias de informação sobretudo da Índia e do Leste da Europa”.

Inversamente queixam-se os países que perderam quadros qualificados e as tais “máquinas humanas” que tiveram custos económicos e sociais para a sua “produção“, não retribuindo o investimento nos seus países, mas noutros mais ricos, tornando os países de origem mais pobres.

Esta leitura “economicista”  também pode ajudar a perceber quem lucra e quem perde com a imigração, e a felicidade que temos, presentemente, de não necessitar de emigrar para termos trabalho e o respeito que devemos ter por aqueles que têm que vir para Portugal ganhar para o seu sustento, porque, neste caso, os beneficiados somos sempre nós.

E se o problema para alguns é de que a maioria dos imigrantes são “pretos” vale a pena recordar-lhes que no reinado de D. Maria II e após a abolição da escravatura, em 1856, no nosso país, havia em Lisboa mais habitantes de raça negra do que branca, que a miscigenação acabou por tornar todos morenos, o que na opinião dos antropólogos desempenhou um papel  positivo na variabilidade genética e na diversidade cultural.

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