Publicado por: Duarte | 8 Novembro, 2001

Ter Vocação Para Bruxo!

Um grande amigo meu, a propósito de previsões, contava-me uma história que se adapta plenamente ao tema deste artigo.

Dizia a história que um médico da sua terra “acertava” sempre no sexo das crianças, das parturientes suas clientes. Isto porque, próximo do parto, dizia à futura mãe que iria ter um lindo rapaz ou uma linda rapariga, mas tendo o cuidado de escrever na agenda o contrário do que afirmava

Após o parto, se o sexo da criança coincidia com a afirmação, tudo corria bem.

Se a criança era do sexo oposto ao que tinha afirmado, e quando a mãe lhe chamava a atenção para o engano, ele apressava-se a dizer que não era possível, e que iria confirmar no registo que tinha feito na agenda. Como nesta tinha escrito o contrário do que afirmara, facilmente demonstrava que tinha acertado. O que ocorrera, isso sim, era um erro de comunicação ou um mal entendido.

Serve esta história para comentar os dados económicos, recentemente publicados, sobre o Produto Interno Bruto (PIB), indicador do crescimento económico do nosso país, referente ao ano 2000.

Verificou-se, assim, que o PIB em 2000 foi de 3,4 %.

Este valor vêm, afinal, revelar que é superior à média dos países da União Europeia, que foi de 3,3 %. Verifica-se, deste modo, que o nosso país não divergiu, no crescimento, em relação aos seus parceiros comunitários.

O surpreendente, para alguns, é que nos dados referentes aos dois primeiros trimestres de 2001, o PIB de Portugal voltou a ser superior à média comunitária. 2,2 % e 2,5 %, respectivamente, quando as médias europeias são de, respectivamente, 1,4 % e 1,7 %.

Estas referências vêm a propósito do espectáculo a que temos assistido, nestes dois últimos anos, com a postura indecorosa por parte de alguns “analistas políticos e económicos” que fizeram previsões sobre o desenvolvimento dos países da zona euro, para os anos de 2000 e 2001, que se têm revelado um fiasco, ultrapassando no erro, largamente, as previsões do Governo.

É evidente que, na sua maioria, essas previsões têm uma forte carga política e, nalguns casos, uma elevada componente partidária, o que, desde logo, as desqualifica, pois inserem-se na luta político/partidária entre o governo (PS) e as oposições (PSD,PP,PCP,PEV e BE).

Às revisões, em baixa, de um conjunto de indicadores económicos que o governo tem feito, os referidos “analistas” têm-se esforçado por omitir que a Comissão Europeia também tem corrigido os mesmos indicadores em baixa, em resultado da crise económica internacional, revelando, desta forma, ser a mesma de âmbito mundial e não local, como se pretende fazer crer.

De uma forma incrível, e nalguns casos irresponsável, somos “bombardeados” por alguma comunicação social que, com grande parangonas, faz eco das afirmações dos referidos “analistas políticos e económicos” que funcionam, nalguns casos, como factor de desmotivação económica e social, com reflexos no investimento, no consumo, e na actividade empresarial.

A auto-estima dos portugueses tem sido, algumas vezes, posta em causa por estes “bruxos” da nossa praça, que não têm olhado a meios para atingir objectivos meramente partidários, procurando confundir desejos com realidades, não acautelando, minimamente, as consequências sociais que estas posturas podem ter, com particular realce nos níveis de emprego dos portugueses.

Felizmente que a realidade, apesar da grave crise económica que assola toda a sociedade mundial, com destaque para os países mais poderosos, política e economicamente, no nosso país não tem tido reflexos tão negativos como os que se verificam no Japão, nos EUA ou na Alemanha.

Naturalmente que pela dimensão da crise internacional, e dado estarmos integrados na EU e sermos uma economia aberta, viremos a sofrer as consequências. Mas esta realidade não pode, nem deve, ser motivo para regozijo de alguns, que se pretendem aproveitar da situação para tentarem “provar que tinham razão quando consideravam que o Governo não prestava“.

Esta é a hora da conjugação de esforços para ultrapassar as situações difíceis, caso estas venham a ocorrer.

Aos olhos dos cidadãos é, no mínimo, imoral, a forma como alguns se auto-satisfazem, quando determinados índices económicos e sociais são menos favoráveis, esquecendo-se que, as suas confortáveis poltronas, não são equiparáveis aos que têm grandes dificuldades em assegurar o bem-estar das suas famílias, o que ainda ocorre em grande número.

Aos analistas “bruxos” deste país, perante estas situações, o que, no mínimo, se pode pedir é que sejam mais comedidos.

É caso para utilizar a célebre frase “à mulher de César não basta ser séria,

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