Publicado por: Duarte | 22 Setembro, 2005

Quem é Que Põem Termo ao Lobing do Petróleo ?

Publicou o DN-Negócios em 5/9/05, um artigo de opinião onde se procura fazer a defesa do uso do gasóleo nos transportes públicos de passageiros, “não considerando o Gás Natural como alternativa ao gasóleo“.

Refere o artigo que a aposta dos transportadores nacionais vai para a redução dos consumos de combustível na base da renovação das frotas com motores que estejam de acordo com as normas comunitárias -Euro3 e Euro4 – ignorando que em 2003 já circulavam na Europa autocarros movidos a Gás Natural Veicular GNV), respeitando a norma Euro5 que entrará em vigor em 2008/2009.

É contudo grave a afirmação de que “o Gás Natural é mais caro de que o gasóleo pois a Carris tem  um único Posto de Abastecimento em Lisboa“, afirmação que não corresponde à verdade, pois o custo do GNV é muito inferior à gasolina e ao gasóleo (nalguns países europeus chega a ser inferior em 50%), e uma viatura com os depósitos cheios de Gás Natural tem uma autonomia de 400 Km, e se for no estado liquefeito, solução em franca expansão em muitos países, percorre 700 a 1.200 Km, sem reabastecimento.

Aponta o citado artigo que as viaturas têm um custo de 40% superior ao das viaturas a gasóleo, afirmação que era verdadeira à alguns anos, dado produzir-se um número muito limitado de motores, situação que se alterou profundamente, com a particularidade de existirem presentemente apoios financeiros a fundo perdido, correspondente a 50% do diferencial de custo, quando ele existir.

É com artigos destes que o lobing do Petróleo tenta impedir a opção pelo GNV no nosso pais e para o qual sucessivos responsáveis dos Ministérios da Economia e Ambiente não têm dado uma resposta adequada

No Quadro da União Europeia e das obrigações decorrentes do Protocolo de Quioto, Portugal está obrigado a limitar o aumento das emissões de GEE a 27%, em relação a 1990, no período de 2008-2012. O compromisso da UE no seu conjunto é reduzir em 8% os níveis de 1990, no mesmo período.

Neste quadro, Portugal elaborou em 2001 um “Plano Nacional de Alterações Climáticas” (PNAC) que foi revisto com o objectivo de ser adoptado até ao fim de 2003. Actualmente Portugal já ultrapassou os valores limites de emissão de gases de efeito de estufa, estabelecidos para 2012.

O sector dos transportes tem um peso significativo nas emissões de GEE (cerca de 27%) e é o sector que regista maior aumento (+ 147% a 154%), sendo 80% das emissões imputáveis ao modo rodoviário

 A dependência energética do exterior foi, em Portugal, de 92% em 1999, tendo o petróleo representado 71% no total do consumo de energia primária. O consumo de energia primária registou um ritmo elevado de crescimento (3,7% ao ano), com o petróleo a registar um crescimento idêntico.

O sector dos transportes (e em particular o modo rodoviário) é o sector com maior crescimento em termos de procura / consumo de energia, em Portugal, na Europa e no Mundo, situação que alguns países pretendem inverter.

Os padrões actuais do uso de energia, baseada no petróleo, não são económica e ambientalmente sustentáveis.

O sector dos transportes é assim um alvo prioritário para as medidas destinadas a reduzir a dependência do petróleo e as emissões de gases poluentes e de efeito de estufa, como sejam as de redução da procura energética e de incremento dos combustíveis alternativos ao petróleo, como é o caso do GNV.

As preocupações com o aumento das emissões de GEE e com a poluição, a par de outros factores (diversificação e segurança energética) têm estimulado o interesse em combustíveis alternativos.

As potencialidades do Gás Natural como combustível alternativo para o transporte rodoviário são enormes, pela sua abundância (reservas mundiais 17 vezes superiores ao petróleo) baixo custo (de produção e transporte) e pelas suas propriedades físico-quimícas que lhe conferem excelentes características de Segurança, Performance dos motores e eficiência energética, Custo ambiental: mais baixas emissões de GEE (-23% que gasolina e diesel) e reduzidas emissões de outros poluentes.

A Comissão Europeia aprovou um documento designado “Alternative Fuels for Road Transportation and Measures to Promote the Use of Biofuels”, onde se defende a substituição, até 2020, de cerca de 20% da gasolina e do gasóleo consumidos no sector europeu dos transportes. Destes 20%, aponta-se para a substituição por Gás Natural de cerca de 10%, por hidrogénio 5% e o restante por bio-combustíveis (de origem renovável) incluindo etanol e biogás.

Pretende a Comissão Europeia, deste modo, atingir dois intuitos com este programa comunitário sobre combustíveis alternativos: o da redução das emissões de dióxido de carbono e o da redução da dependência energética, especificamente do petróleo cuja importação estima-se que atinja os 70-90% em 2030.

Exemplo da aplicação deste programa deu-se no passado dia 4 de Julho de 2005, com a assinatura de um Protocolo entre o Governo Francês e a Associação Francesa para o uso do Gás Natural para Veículos (GNV) e algumas empresas de referência como a Gáz de França, Carrefour, petrolífera Total, Peugeot. Citroem e Renault, com o objectivo de expandir o actual sucesso do ramo do Gás Natural Veicular, em torno das viaturas pesadas de passageiros e de carga, e da instalação dos Postos de Abastecimento Públicos.

 Na cerimónia de assinatura disse o ministro francês que se pretendia  com este acto quatro objectivos constante da recente Lei para a energia aprovado pelo Parlamento Francês e que são:

  • – Garantir segurança com a alternativa no abastecimento;
  • – Obter um preço mais baixo nos combustíveis;
  • – Defender o ambiente reduzindo os gases com efeito de estufa;
  • – Assegurar o livre acesso à energia.

São diversos os países europeus com programas muito ambiciosos para a utilização do GNV, como é o caso da Alemanha com a montagem em média de um posto de abastecimento de GNV por semana, condição determinante para se ter um mercado para os consumidores de GNV ou de grande parte das Administrações Regionais Italianas que obrigam que todos os novos postos de abastecimento de combustíveis ou em renovação tenham que ter obrigatoriamente o GNV

O que é inadmissível é que, no nosso País, a DGE não consente a adaptação para o uso de GNV de viaturas movidas a gasolina, como ocorre com o GPL, prática esta vulgarmente utilizada em todo o mundo.

São inúmeros os países onde o crescimento anual da frota de viaturas a GNV tem um ritmo superior a 20%, alguns europeus, disponibilizando todos os construtores de viaturas ligeiros e pesados modelos na modalidade de bifuel (GNV e gasolina) ou dedicados.

Aos que exibem os carros movidos a Hidrogénio como solução futura por não poluir, é importante que não escondam que a produção industrial do Hidrogénio tem custos ambientais extremamente gravosos (o carro não polui mas a produção do Hidrogénio sim) assim como economicamente só ser rentável daqui a 20 anos.

A expansão deste sector em muitos países, como é o caso do Brasil, Argentina, Índia, China, Itália, Alemanha, EUA, tem criado uma poderosa indústria de componentes e transformadores, geradora de um grande volume de empregos, situação que no nosso País poderá revelar-se estratégico ao contribuir para a redução da factura energética e a obtenção de evidentes benefícios ambientais, para além da dinamização económica e social.

À uma sugestão que faço, desde já, aos responsáveis pelas políticas económica, e ambiental, para que consultem os inúmeros Sítios na Net, nacionais ou estrangeiros, referentes ao GNV, como forma de contornar informações “técnicas” que tudo têm feito para bloquear o desenvolvimento natural deste processo.

Tal como noutros países comunitário, já se deveria estar a exigir aos responsáveis das empresas distribuidoras de Gás Natural e de Transportes Públicos, quotas anuais para instalação de Postos de Abastecimento de GNV e substituição de viaturas a Diesel, nomeadamente de autocarros de passageiros e Taxis.

È inquestionável que a decisão política que se tomou de integrar o sector empresarial de Gás Natural na Galp, veio a criar de forma adicional um bloqueio ao uso do GNV pois esta petrolífera pretende é vender gasóleo e gasolina, indiferente ao agravamento dos custos económicos e ambientais para o País.

É desejável que da forma como este governo tem afrontado interesses corporativos, assuma também um papel interventivo nesta problemática, defendendo os interesses ambientais e económicos do País e dos cidadãos.

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