Publicado por: Duarte | 6 Maio, 2007

Segunda Carta a Paulo Bento

Há cerca de seis meses escrevi uma segunda carta a Paulo Bento, após terem sido publicados dados estatísticos que revelavam que 51% dos golos que o Sporting sofreu, este ano na Liga, foram na sequência da marcação de “cantos”.

Inversamente o Sporting, no mesmo período, só 1% dos golos marcados resultou da marcação de “canto”, o que demonstra estar qualquer coisa errada.

Esta segunda carta teve assim o objectivo analisar a forma como os cantos do Sporting e os dos seus adversários foram marcados, que a seguir descrevo.

Caro amigo Paulo Bento, no início das suas funções de treinador da equipa principal do Sporting, escrevi-lhe uma carta onde tecia diversas críticas à forma como o Sr. Peseiro dirigia a equipa, destacando a Estatística, a Eficácia e a Eficiência como forma de análise, onde referia que:

  • Pela análise Estatística dos jogos é possível concluir que cerca de 60% dos golos, em qualquer campeonato europeu, resultam de lances de “bola parada“. No entanto, era lamentável ver como o Sr. Peseiro desqualificava estes lances ao defender, frequentemente, que os mesmos fossem executados com um passe para o jogador mais próximo, situação que ocorria também com a “marcação de cantos“.

A marcação directa para a “grande área” dos “livres e cantos” não só dão golos como, pela imprevisibilidade das situações, dão origem a novos lances de “bola parada“.

  • Quanto à Eficácia, destacava a incapacidade da equipa para marcar golos ou para evitar sofre-los, considerando que a resposta estava no estilo de jogo, de “passes entre jogadores“, defendido por Peseiro, que permitia que o adversário reconstituísse a sua defesa, o que dificultava a penetração no meio campo adversário, onde chegavam a estar 21 jogadores.

Concluía que as grandes equipas praticam hoje o chamado futebol directo, ou seja criando situações de imprevisibilidade, permitindo que os avançados tenham espaço para trabalhar por se encontrar na zona um pequeno número de jogadores, e os defesas adversários, em situações de aperto, a cometerem erros sem ter por perto quem os apoie ou corrija.

Que o futebol directo tem ainda a vantagem de manter os defesas da equipa que ataca no seu meio campo, evitando as situações de contra-ataque, com o meio campo totalmente desguarnecido, como frequentemente ocorria com o Sporting, com o Ricardo sozinho frente ao adversário.

  • Por último, quanto à eficiência, esta corresponde à forma de conseguir atingir os mesmos objectivos ou seja, ser eficaz, metendo golos com o menor esforço, utilizando menos meios, não impondo que toda a equipa tenha que subir para um ataque, nem que tenha que recuar toda para se pôr à defesa.

Naturalmente que a entreajuda de avançados, meio campo e defesas, impõem-se em algumas situações, mas não pode esta ser uma forma vulgar de intervenção por levar a um desgaste físico elevado, em funções atribuídas a outros, condições físicas que depois faltam para o papel que cada um tem que desempenhar.

Volto a referir que o futebol moderno, praticado pelos grandes clubes europeus é o futebol directo, por três motivos:

  1. Evita que os jogadores entrem em esgotamento físico, fazendo a bola correr e não os jogadores, situação esta de grande actualidade entre os técnicos europeus;
  2. Os passes longos e a pingar contornam os centro campistas, e introduzem um elevado nível de imprevisibilidade (inversamente o jogo de troco de bola é todo ele de grande previsibilidade);
  3. A imprevisibilidade dos passes longos, nomeadamente para os limites da grande área adversária, leva a defesa a situações de stress, cometendo erros ou faltas que dão origem a lances de bola parada, e estes dão origem a mais de 60% dos golos.

Pretendo contudo com esta nova carta, colocar-lhe duas novas situações que, pela minha análise da actuação da equipa do Sporting, levam-me a fazer-lhe os seguintes comentários, que têm por base os dados estatísticos, das referidas situações.

  • Primeira – Os passes rasteiros e previsíveis para os laterais, quando estes estão entalados entre um defesa e a linha lateral, sem espaço para se movimentar, estatisticamente revelam-se perfeitamente inúteis e são a negação da impervisibilidade.
  • Segunda – A situação particularmente grave que resulta da forma como a equipa subestima ou desaproveita a marcação directa das bolas paradas.

Esta situação que já era corrente no passado, mantêm-se na presente actuação da equipa, nomeadamente.

  • 1. Nos livres e cantos, passando para o jogador mais próximo, desaproveitando a marcação para a grande área, subestimando a imprevisibilidade destes lances.
  • 2. Utilizando um jogador desadequado na marcação do canto ou livre.

É particularmente sobre esta última questão, a forma de executar o remate da bola parada, que importa fazer duas observações:

Primeira – A estatística dos canto marcados que dão origem a golo, demonstra que a larga maioria são obtidos quando a bola faz uma curva para o lado oposto à baliza, fora do alcance do guarda redes, mas em condições ideais para os defesas centrais da equipa atacante, com larga experiência de cabeceamentos frontais.

Segunda – O que vemos no Sporting é o recurso ao Tello para marcar cantos do lado errado, em que as bolas são apanhadas pelo guarda-redes ou pelos defesas.

Quanto muito o Telho só devia marcar cantos do lado esquerdo do ataque, pois é esquerdino.

No último jogo com o Sparta todos os 12 cantos marcados pelo Tello, do lado direito do ataque, não criaram nenhuma situação de perigo. Neste jogo, o único canto que deu origem a um cabeceamento à trave foi marcado pelo Nani, fazendo a bola descrever uma curva do canto para a zona da grande penalidade, porque rematou com o pé direito, no canto direito do ataque.

Veja-se como o Benfica, no último jogo com o Sporting, marcou o canto que foi cabeceado pelo Ricardo Rocha, marcando golo ou no Porto o Pepe a marcar golos com execuções de bola parada pelo Quaresma.

Repito, a estatística revela que mais de 50% dos cantos marcados para o lado oposto à baliza dão origem a golo, pois o guarda redes está afastado do local de recepção da bola, enquanto que os cantos marcados para a pequena área, que dão origem a golo não chega a 10%, porque o guarda redes tem papel determinante na anulação da jogada.

Esta situação também se aplica aos livres com marcação próxima do canto.

Termino manifestando-lhe os meus parabéns pelo trabalho que tem desenvolvido com a equipa principal do Sporting.


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