Publicado por: Duarte | 8 Março, 2009

Pessimistas e Optimistas

Todos conhecemos as diferentes versões sobre a postura dos pessimistas e dos optimistas, como é o caso da versão em que dois pilotos, num pequeno avião, são obrigados a aterrar no meio de um grande deserto e que, após repararem a avaria, quando se preparam para levantar voo o pessimista diz: “Estamos tramados! temos meio depósito de gasolina” e o optimista diz: “ainda temos meio depósito? Estamos safos“.

É com frequência que perante as mais variadas situações encontramos pessimistas e optimistas, havendo quem contraponha a existência de outra postura, a dos realistas.

Os primeiros (pessimistas), caracterizam-se por considerar que tudo está ou vai terminar mal, dando de si uma imagem de que estão mal com a vida, só encontrando problemas, mas nunca dão contributos para a sua solução.

Os segundos (optimistas), encontram sempre o lado positivo da vida, são regra geral mais solidários e cooperantes, arriscam novas iniciativas e fazem questão de ser parte da solução dos problemas.

Os que se designam de “realistas” evocam que estão no meio-termo mas, frequentemente, revelam-se como aqueles que “não fazem nem saem de cima” ou seja, não deixam fazer.

O mundo tem avançado na base dos optimistas pois são os que arriscam, são os que procuram novas soluções, não desmotivam os outros, repetem experiências falhadas, não passam a vida a criticar os outros por tudo e por nada.

Os pessimistas encontram dificuldades em tudo, apontam sistematicamente intenções desonestas aos outros, dizendo que nunca erram, mas também não contribuem para a mudança de comportamentos.

Os realistas invocam, permanentemente, a falta de dados para se decidir o que quer que seja, querem mais certezas, mais meios, mais garantias, menos riscos e quando se decidem já foram ultrapassados por outros.

Pretendo com todo este arrazoado analisar os comportamentos de diversos comentadores e responsáveis políticos, na perspectiva pessimista/optimista, pela forma como interpretaram os dados divulgados esta semana pelo IEFP, sobre o emprego/desemprego, assim como os dados divulgados pela OCDE sobre os valores das reformas, no nosso país, daqui a 20 anos.

No primeiro caso deturpou-se de forma grosseira os dados publicados pelo IEFP, tentando fazer passar a mensagem de que em Janeiro de 2009 teriam perdido o emprego 70.000 trabalhadores, quando a Informação do IEFP que se pode ver aqui, diz logo no segundo parágrafo é que o aumento de desempregados em relação ao mês anterior foi de 31.961.

A referência a 70.334 inscrito nos Centros de Emprego, em Janeiro de 2009 corresponde aos 31.961 que perderam emprego mais os 38.373 que procuravam um novo emprego ou de pessoas que pretendem entrar no mercado de trabalho, assim com de jovens à procura do 1º emprego ou seja, inscrição no Centro de Emprego não é o mesmo que ter perdido o emprego.

Os actuais níveis de desemprego já são suficientemente graves para que sejam empolados pelos habituais pessimista, com evidentes objectivos políticos.

O segundo caso, sobre o Relatório da OCDE, foi interpretado de forma desadequada o dado contido no relatório, de que as reformas em Portugal, daqui a 20 anos, corresponderiam a 55% do último salário, auferido há data de requerer a reforma.

Sendo correcto este dado, foi contudo clarificado pelo Ministro Vieira da Silva que aquela percentagem refere-se ao salário bruto, o que corresponde aos actuais 82% do salário líquido se o trabalhador descontar durante mais um ano (o que é irrelevante dado que a esperança de vida terá, daqui a 20 anos, um acréscimo de mais 5 anos).

Foram diversos os comentadores e analista que, numa postura de pessimistas/realistas, procuraram fazer uma autêntica acção promocional das companhias de seguros, passando a mensagem da Associação das Seguradoras de que, na sua opinião, a referida taxa de cobertura era sim de 45%, deixando implícito que os PPRs eram uma melhor opção para se complementar a reforma.

Transmitiu a RTPNotícias, as palavras do Secretário de Estado de que esta afirmação das seguradoras era uma acção promocional de um produto que pretendem vender, dizendo no entanto que o que a lei prevê, anualmente, é um acréscimo real das reformas em 2%, situando-se a mesma, quando atribuída, entre 70% e 82% do último vencimento liquido ou seja, num mínimo de 70% para quem requer a reforma aos 65 anos ou de 82% para quem faz descontos adicionais durante mais um ano ou subscreve um título de poupança público, de igual montante.

Todos temos presente que há 20 anos a maioria dos que se reformavam, aos 65 anos, faleciam pouco depois, recebendo de reforma uma pequena parte dos descontos que fez.

Presentemente, com a esperança de vida em 74 anos para os Homens e 80 anos para as mulheres, os descontos que se fizeram para a Reforma ficam aquém do que se recebe, dado que se ganhou 15 anos na esperança de vida.

Se nada fosse feito daqui a dez anos a falência da Segurança Social era um dado adquirido, por todos os analistas, tendo em conta que a esperança de vida continua a aumentar na base da melhoria da qualidade de vida, particularmente nas vertentes ambientais, sanitárias e dos cuidados de saúde.

O Mundo e o nosso País têm já suficientes problemas de grande gravidade para que se venha pretender inventar outros que não existem, pelo menos com a dimensão que se pretendeu dar nestes dois casos.

Felizmente que os portugueses são na sua maioria optimistas, como o revela uma sondagem na última edição da revista Visão, onde se considera que, em relação ao passado, 35% dos portugueses consideram-se muito mais felizes e 33,6% mais felizes, concluindo que 73,5% dizem que são felizes.


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