Publicado por: Duarte | 12 Junho, 2009

Interpretar as eleições Europeias

Muitas são as interpretações que têm sido feitas às eleições para o Parlamento Europeu, este é o meu contributo.

Para tanto anexo três quadros com legendas: Eleições Europeias (anexo 1), Legislativas (anexo 2), Eurosondagem de 6/05/09 (anexo 3), para se poder fazer uma leitura comparativa na base do número de votos e não das percentagens, como vulgarmente se utiliza, pois as percentagens só são válidas quando se compara a distribuição dos votos no mesmo acto eleitoral.

Assim tendo por base as eleições para a Assembleia da República, quadro do anexo 2, podemos estimar o “eleitorado base” de cada Partido, e concluir que:

O “eleitorado base” do PS está em torno de 2.500.000 votos, no entanto para as Europeias o PS só consegue motivar, normalmente, 1.500.000 de eleitores, mas desta vez a desmotivação atingiu 1.550.000, pelo que só obteve 946.287 votos.

Quanto ao PSD, o seu “eleitorado base” é de mais ou menos de 2.200.000 votos, mas nas Europeias, normalmente, só consegue 1.100.000, conseguindo nestas eleições 1.127.715 votos, menos 1.073.000 que o seu “eleitorado base”.

Sobre a CDU, o seu “eleitorado base” situa-se nos 450.000 votantes, mas nestas Europeias teve 379.659 votos ou seja, mais 70.000 votos que nas últimas Europeias, mas menos 70.000 votos que a sua base eleitoral.

No caso do CDS o seu “eleitorado base” anda em torno de 450.000 votos, mas nestas Europeias teve 300.000 votos, menos 150.000 votos que a sua base eleitoral.

Quanto ao BE, com um “eleitorado base” de 360.000 votos, nestas Europeias teve 382.000 voto o que corresponde a um acréscimo de 22.000 votos, pelo que foi a única força política que teve o seu eleitorado plenamente motivado, tendo ido para além da sua própria base eleitoral.

Esta situação é perfeitamente compreensível se tivermos em conta os dados da Eurosondagem de 6/05/09 (anexo 3), onde se verifica que os dois Partidos que têm (em percentagem das faixas etárias), mais votos entre os jovens que as outras duas faixas etárias mais idosas, são o PS e o BE, situação que é determinante para o crescimento da base eleitoral de qualquer força política, o que ocorreu de forma mais acentuada com o BE.

É deste modo posta em causa a afirmação de diversos comentadores e jornalistas, de que o PS deu votos para todas as outras forças políticas.

A leitura do meu recente artigo de Opinião intitulado, “Como se comportam os eleitores”, ajuda a entender os conceitos de “Eleitorado Base”, “Desmotivação” e “interesse Cruzado”

Anexo 1 (9/06/2009)

Resultados das eleições para o Parlamento Europeu

Gráfico 1

2009 – Verifica-se que as diversas forças políticas tiveram uma votação ao nível das anteriores, salvo o BE, que teve o dobro da votação, e o PS que viu 500.000 dos seus habituais eleitores em Europeias, por “desmotivação”, não ir votar.

Refira-se ainda o número anormal de votos em Branco e Nulos, como voto de protesto.

——————————————————-

Anexo 2 (22/06/07)

Votos obtidos pelos 5 maiores partidos e coligações nas Legislativas desde 1975

Gráfico 2

a)  O PS integrou a FRS (1.606.198) + o PS na Madeira, Açores e Imigração (67.081).

b) A UDP dispersou-se em pequenas formações

c)  AD  (PSD, CDS, PPM)

Neste quadro com os resultados eleitorais desde 75, procederam-se a alguns agrupamentos e notações, para se poder entender melhor as votações então ocorridas.

Verifica-se, claramente, que os principais Partidos têm tido o mesmo “eleitorado base, ao longo destes anos, salvo o PCP/CDU e o CDS/PP que perderam eleitorado, e que as alterações significativas que ocorrem, nalguns actos eleitorais, resultam do facto do Partido que perdeu votos nesse acto ter o seu eleitorado desmotivado, pois esses votos não aparecem noutros Partidos.

O “interesse cruzado, situação que leva um eleitor a votar noutra força política tem pouca expressão, a “desmotivação, isso sim, tem peso nos resultados.

Repare-se que até o BE tem hoje o mesmo “eleitorado base que tinha a UDP em 80, se acrescentarmos os votos do então PSR e outras pequenas forças políticas da mesma área, assim como um crescimento na base de novos eleitores jovens.

Anexo 3

INTENÇÃO DE VOTO POR IDADES   (Eurosondagem 6/05/09)

Gráfico 3



Responses

  1. os quadros não conseguem imprimir-e porque mistura cores, ou não dá mesmo.
    Coloque por favor tudo a preto e Branco porque gostava de poder imprimir tudo
    Obrigado e um abraço do
    Manuel VArges

  2. Bom dia, Duarte Nuno,

    Vamo-nos habituandoa tudo. E para tudo se arranja uma explicação, mesmo sem razões de convencimento.

    É evidente o mau estado na vida política portuguesa; não enterremos a cabeça na areia.
    Não há política que resista quando é a finança e a economia que domina. E não há melhoras: nunca se roubou tanto impunemente, com os barões da justiça no meio da batota.
    O povo sofre e muito.
    Nada diferencia este “socialismo”, onde pulula o oportunismo e o arranjismo, da social democracia.
    Se nada melhorar corre-se o risco de só votarem os que comem do sistema, número que já vai em mais de 2o por cento dos votos.
    Teriam sido estes e pouco mais que agoar votaram.
    Não é pessimismo. Etou numa empresa e ouço as pessoas; vou na rua, nos transportes, nas aldeias e ouço.
    A democracia e política portuguesa degradam-se a olhos vistos.

    Pensa nisto, recolhe números e publica. Pode ser um bom contributo para o sistema reflectir.

    Tal como as sondagens, os números e os estudos correm o risco de nada valerem. Os problemas agudizam-se e não há sermões que valham quando quando o povo do trabalho vive mal.

    Um abraço

    João Coelho

  3. Bom dia, Duarte Nuno,

    Vamo-nos habituandoa tudo. E para tudo se arranja uma explicação, mesmo sem razões de convencimento.

    É evidente o mau estado na vida política portuguesa; não enterremos a cabeça na areia.
    Não há política que resista quando é a finança e a economia que domina. E não há melhoras: nunca se roubou tanto impunemente, com os barões da justiça no meio da batota.
    O povo sofre e muito.
    Nada diferencia este “socialismo”, onde pulula o oportunismo e o arranjismo, da social democracia.
    Se nada melhorar corre-se o risco de só votarem os que comem do sistema, número que já vai em mais de 2o por cento dos votos.
    Teriam sido estes e pouco mais que agoar votaram.
    Não é pessimismo. Etou numa empresa e ouço as pessoas; vou na rua, nos transportes, nas aldeias e ouço.
    A democracia e política portuguesa degradam-se a olhos vistos.

    Pensa nisto, recolhe números e publica. Pode ser um bom contributo para o sistema reflectir.

    Tal como as sondagens, os números e os estudos correm o risco de nada valerem. Os problemas agudizam-se e não há sermões que valham quando quando o povo do trabalho vive mal.

    Um abraço

    João Coelho

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