Publicado por: Duarte | 28 Agosto, 2009

A crise da Comunicação Social

Nos últimos tempos temos sido inundados com informações que referem estar a Comunicação Social (jornais diários, semanários de âmbito nacional e televisões) em profunda crise financeira, em resultado de uma significativa redução na venda de jornais ou quebra nas audiências dos telejornais.

Uns invocam que é um reflexo da crise financeira e económica que atingiu o mundo, mas a realidade é que no nosso país esta situação vem de longa data se tivermos em conta que no Grupo Balsemão/Impresa (SIC, Expresso etc.), há mais de dois anos que não ocorrem aumentos de vencimento e no último ano houve, inclusive, redução de salários nalguns sectores, e que no Grupo Belmiro/Sonae (Público) foram obrigados a uma redução nos vencimento, como alternativa a despedimentos.

Esta situação tem vindo a ocorrer noutros órgãos de Comunicação Social diária sem divulgação pública, pelo que importa encontrar algumas das causas que levam ao afastamento dos seus leitores ou ouvintes.

Tenho para mim que a nossa Comunicação Social diária ou Semanários de âmbito nacional, estão a ser vítimas do seu próprio veneno.

Tenho um amigo que diz: “a forma mais fácil de apanhar uma depressão nervosa é ler os jornais diários ou ver os telejornais”, e concluía que “do princípio ao fim cultiva-se até à exaustão as notícias de tragédias, raptos, assassinatos, roubos, corrupção, guerras, violações, acidentes viação, incêndios, desemprego, despedimentos, falências e vírus, culminando invariavelmente na responsabilização do governo por tudo isto ou por não ter impedido que estas situações ocorram”.

É a velha história de “ser preso por ter cão ou por não ter”.

O resultado tem sido o cansaço das pessoas por esta prática de “escárnio e mal dizer”, divulgando as desgraças alheias, defendendo a teoria que “é o que vende jornais”.

Este conceito já foi chão que deu uvas e a nossa Comunicação Social começou a ser vítima da sua própria estratégia.

È evidente que nem todos utilizam esta estratégia só para vender jornais, há os que com esta postura prosseguem objectivos políticos/partidários que também são conhecidos.

As poucas notícias divulgadas sobre actos positivos, estas são descritas em meia dúzia de linhas, mas se os mesmos resultarem da acção do governo (situação que ocorreu com os anteriores governos seja do PS ou do PSD), apressam-se a deslocar-se, expressamente, com as câmaras de televisão para ouvir os líderes dos Partidos da oposição, mais os dirigentes sindicais, para que estes apresentem outra leitura dos factos, de modo a que os dados divulgados como positivos, pelos Institutos Públicos, nacionais ou estrangeiros, sejam desqualificados de modo que a leitura final resulte em mais uma “tragédia” que cai sobre os ombros de todos os portugueses.

Felizmente que na base deste novo fenómeno da Net, que é a blogosfera, o acesso à informação que os cidadãos vão tendo, passa cada vez mais ao lado da Comunicação Social, escrita ou falada.

Este fosso irá acentuar-se pois a nossa Comunicação Social ainda não sabe distinguir o que é Comunicação do que é Informação.

Faço esta distinção em dois artigos de opinião, que publiquei no início 1998, e que poderão ser lidos no meu Blog.

Cabe ainda neste texto a referência a uma notícia publicada no Jornal de Notícias do passado dia 18 de Agosto, que se pode ver aqui, e que tinha por título “Miúdo cria Canal só para notícias positivas

Esta história conta-se em poucas linhas. Um adolescente de 12 anos, na Florida – EUA, criou uma televisão on-line, fornecendo informação sobre o que de positivo se passa no Mundo, o que se tem revelado um êxito de audiências.

Não pretendo com este apontamento concluir que se deixe de divulgar o que de grave, trágico, errado e criticável se passa na sociedade, pelo contrário, pois a denúncia destas situações é determinante para a sua correcção ou julgamento com eventual punição, mas que as mesmas tenham a proporção adequada e que os êxitos, as alegrias, avanços e acções positivas tenham papel mais destacado, pois as mesmas são factor determinante para a auto-estima das pessoas e socialização da sociedade, pelo papel que têm de incutir aos outros a vontade de acompanhar ou ultrapassar os êxitos divulgados.

É tempo de a nossa Comunicação Social deixar de pretender convencer-nos que vivemos ao nível da África subsariana, como muitos seriam levados a concluir se só tivessem acesso aos jornais e telejornais deste País.

Esta crítica não abrange os Jornais locais e regionais, pois estes, como facilmente se constata, descrevem regularmente os problemas locais, assim como as obras ou novos equipamentos construídos e as iniciativas públicas, privadas e associativas no âmbito cultural, recreativo e social, sem esquecer as críticas ao que de inaceitável ocorre na sociedade.


Responses

  1. Caro Nuno, é fácil mas pouco lúcida a critica aos jornais. Porquê? Qualquer um deve saber por experiência feita o que vê e lê, se o mercado não basta para acabar com o dito mau jornalismo é seguramente outra coisa que está em causa.
    Clientes e anunciantes com problemas sociais ou com patologias diversas ou interesses pouco confessáveis. Não é assim?

  2. Caro Dr. Nuno:
    Hoje em Portugal os media estao inteiramente oligopolizados, concentrados nas maos de meia duzia de grupos economicos.
    A sua funçao nao e’ mais informar ou esclarecer e sim desinformar e confundir a fim de adormecer o povo. Trata-se apenas de um instrumento de controle social, mais nada.
    A classe dominante portuguesa nao precisa dos media existentes em Portugal para se informar e sim para exercer controle social sobre o povo.
    Os jornalistas que nao aceitam esta situaçao sao afastados ou emprateleirados, dai’ a mediocridade dominante na nossa comunicaçao social.
    Noam Chomsky explica.

  3. A comunicação social em Portugal, mas acredito que seja assim em quase todos os paises democraticos, vive a conta de tudo o que é negativo na nossa sociedade, o que conta são os crimes, roubos entre muitas outras desgraças do mundo onde vivemos.

    Isto são noticias e devem ser divulgadas, mas um orgão de comunicação social deve também e a meu ver principalmente relatar o que de bom e de positivo acontece no país e no mundo.

    Estou certo que as pessoas gostam de mexericos, crime e desgraças, prova disto são as vendas das revistas cor de rosa e de jornais que vivem do crime, estes fornecem a informação que a população em geral gosta.

    Se refletirmos um pouco e reparar-mos nas grelhas das nossas televisões, constamos a má qualidade do que é apresentado e quais os programas que têm audiencias e que são do agrado da grande maioria da população.

    É triste fazer esta afirmação, mas acho que temos a comunicação social que o povo Português deseja, uma comunicação na sua maioria sem grande interesse e muito negativa.

  4. Caro Nuno, como o meu amigo não se corresponde com os que aqui deixam o seu comentário, tomo a liberdade de o fazer.

    Gonçalo Santos,

    “É triste fazer esta afirmação, mas acho que temos a comunicação social que o povo Português deseja, uma comunicação na sua maioria sem grande interesse e muito negativa”.

    Permita-me estar em desacordo, deve pensar que se moldou um povo para ter a liberdade de ser estupido e que não deve gostar de ou ter ideias de debate ou opinião formada pelo seu próprio pé.

    Pode ver o mau “feitio” das minhas opiniões e as cabecinhas que voltam.

    Armando Ramalho
    http://odivelasvivre2008.blogspot.com

  5. Meu caro, abri um espaço que gostava que conhecesses porque serás bem vindo.

    Um abraço!

  6. Agora sim…

    http://www.4esquerdo.wordpress.com


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