Publicado por: Duarte | 28 Maio, 2010

O Dinheiro é como as Batatas, quando faltam sobem de preço

No início da crise económica internacional, em Setembro de 2008, publiquei um artigo sobres a mesma, destacando que esta estava para durar. Em Outubro divulguei um texto da Revista VEJA (ver aqui) que referia que em 1960 o PIB mundial era de 10 Triliões de dólares, mas os activos financeiros de 12 Triliões (expressão brasileira) ou seja uma bolha financeira especulativa de 2 Triliões de dólares.

O mesmo texto da VEJA destacava que em 2006 o PIB mundial era de 48 Triliões de dólares mas os activos financeiros já eram 170 Triliões de dólares ou seja uma diferença de 122 Triliões, e foi grande parte desta bolha especulativa (mais de 80 Triliões de dólares) que se esfumou.

Esta bolha especulativa que correspondeu ao velho processo da “Dona Branca”, também conhecido de “Pirâmide”, que agora se designou de “subprime”.

O esquema tal com referi em anterior artigo, funcionava do seguinte modo. Quando um cidadão americano comprava uma casa e pedia emprestado dinheiro ao Banco, estava convencido que a sua relação era só entre si e aquele Banco.

Estava a ser enganado pois o que sucedeu foi que esse banco vendia esses créditos a outro, mais tarde este segundo banco vendeu a outro, numa cadeia tipo Dona Branca que foi mantida enquanto o dinheiro que entrava no processo era superior aos dividendos que esta corrente bancária absorvia.

Saturado o mercado imobiliário nos EUA, por se ter reduzido o número de compradores, o dinheiro que entrava no sistema passou a ser inferior aos juros e dividendos que o sistema Bancário tinha que pagar entre si.

Na evidência da ruptura os mais avisados começaram a retirar os seus valores enquanto puderam, o que acelerou o descalabro da banca nesses países.

No sector de Seguros o processo foi idêntico, o cidadão segurava o seu carro, a sua casa ou os seus planos de reforma, julgando que a sua relação era só com aquela companhia de seguros em quem confiara as suas poupanças.

Estava enganado, pois esta seguradora tinha segurado a sua carteira noutra companhia, a outra noutra, até à maior delas a AIG americana. O resultado foi a falência do sistema.

Tenha-se em conta o comunicado da Agência Federal de Segurança Financeira que durante o ano de 2009 entraram em falência 121 bancos nos EUA.

A principal fase da crise começa aqui. Ao esfumar-se esta enorme massa financeira, deixaram de estar disponíveis os capitais que compravam casas, barcos, bancos, empresas, aviões, fábricas, propriedades e outros bens, que de imediato gerou uma enorme redução de toda a actividade económica

É já inquestionável que os países mais desenvolvidos, EUA, Japão e União Europeia vivem a maior crise económica, depois da Grande Depressão de 1929/1933, que tinha sido até aí a maior crise de sempre, pela falência de milhares de grandes e médias empresas, uma inflação galopante e milhões de desempregados, com reflexos no nível de vida da população em geral, que não só dos trabalhadores.

A actual fase da Crise Mundial caracteriza-se assim pela falta de liquidez financeira, a nível mundial, em resultado do desaparecimento dos chamados produtos financeiro a que chamaram “tóxicos”, pois não correspondiam à realidade económica.

Dado que o Dinheiro tal como as Batatas ou qualquer outro bem transaccionável, quando faltam sobem de preço, a falta de liquidez financeira actual está a originar um aumento das taxas de juro nos empréstimos bancário.

O que se pode perguntar é porquê que o aumento dos juros está a incidir fortemente sobre as economias europeias?

A resposta é fácil de dar. Porque a pretexto do “elevado” endividamento europeu as agências de notação financeiras (todas elas americanas), em vez de generalizar o aumento do custo do dinheiro em todas as operações a nível mundial, preferiram (?) fazê-lo na Europa, cujo fortalecimento do euro tem vindo a pôr em causa o dólar como moeda principal no comércio internacional.

Deste modo, é importante que muitos dos que têm andado “distraídos”, percebam agora porquê que a Comissão Europeia fez um apelo para que todos os países da União procedam rapidamente, no sentido de reduzir o seu endividamento.

Este apelo foi fundamental para impedir que os grandes grupos económicos que estão na base da crise  mundial que vivemos, venham a atingir os seus objectivos.

Todos aqueles que procuram fazer crer que a crise que vivemos em Portugal tem causas nacionais, e que as medidas fiscais e as de redução das despesas determinadas pelo governo são despropositadas, devem questionar-se do porquê que diversos países europeus acabam de aprovar também medidas para reduzir o seu défice e o seu endividamento, como é o caso;

– da Espanha no valor de 65 mil milhões de euros já este ano, onde mais um Banco acaba de falir, o CajaSur de propriedade da Igreja Católica;

– da Alemanha no corte anual de 10 milhões de euros até 2016 e suspensão da prevista redução de impostos, assim como reduzir subsídios estatais e abolir diversas isenções fiscais, e outros benefícios;

– da Itália ao reduzir despesas em 24.000 milhões até 2012, aumentar os impostos em 6.000 milhões de euros e congelar os salários da função pública durante três anos;

– da Inglaterra ao cortar 7.260 mil milhões de euros este ano e suprimir 700.000 funcionários públicos em três anos, com destaque no sector da saúde.

Idênticas medidas foram aprovadas em França, Irlanda, Polónia e Grécia, numa clara demonstração de que a Europa agiu de forma concertada para resistir ao ataque da especulação financeira de que está a ser alvo.

Se este esforço adicional que está a ser pedido aos portugueses, como aos restantes europeus, de reduzir as actuais dívidas públicas que em períodos de normalidade não seriam um problema, não se concretizasse, o preço que tínhamos que pagar pelo aumento do custo do dinheiro criaria no futuro graves problemas económicos ao país e a todos os cidadãos.


Responses

  1. A terrivel banca:
    Acho que no pacote de medidas o Governo devia intervir no crédito imediato.
    Bancos e entidades similares continuam a apostar em cartas mails e etc, oferecendo crédito ao consumo a quem talvez nem o possa pagar. Deixando esse talvez de lado, potencialmente esse consumo direige-se a produtos não portugueses: viagens ao estrangeiro, automóveis, produtos de luxo de marcas não portuguesas. Tendo em conta o crescimento Português, esses mesmos bancos vão ter de ir buscar dinheiro aos bancos estrangeiros, ou seja, os bancos vem dar sermões relativamente ao déficite publico mas o facto de emprestarem dinheiro que não tem não os incomoda nada. Esta é a hora para todos começarmos a viver mais dentro das possibilidades: Estado, cidadãos e banca.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: