Publicado por: Duarte | 29 Maio, 2011

O voto útil faz sentido?

Nas próximas eleições legislativas, de 5 de Junho, alguns partidos voltam a estar confrontados na campanha eleitoral com o dilema de os eleitores, seus simpatizantes, recorrerem ou não ao designado “voto útil”.

À direita o PSD faz esse apelo e à esquerda o PS faz idêntico apelo, face aos dados das sondagens que apontam para um empate técnico entre estes dois maiores partidos, pelo que o partido que conseguir passar esta mensagem terá maiores probabilidades de ser chamado a formar governo.

Se à direita este apelo pode ter duas leituras: a primeira de que se o PSD obtiver mais votação será chamado a formar governo; a segunda leitura é a de que o PSD e CDS, mesmo que separados, se tiverem a maioria de votos, formarão igualmente governo.

Já à esquerda só existe uma possibilidade de o PS formar governo, se o PS for o partido mais votado, pois o PCP e BE reafirmam, regularmente, que nunca formarão governo com o PS mesmo que, em conjunto, tenham a maioria de votos.

A experiência tem demonstrado que os partidos à esquerda do PS têm-se recusado a qualquer acordo com este partido, o que obriga os socialistas a fazer acordos à direita para poder exercer o Poder, situação que origina por parte do PS uma mitigada política de esquerda.

A Ciência Política define a Política, de uma forma abreviada, como “A arte do possível“, o que na extrema esquerda ainda não foi compreendido.

Como também não foi compreendido pelo PCP e pelo BE, que a função determinante dos Partidos é o exercício do Poder e não só a definição de políticas.

A função meramente reivindicativa cabe aos sindicatos, na actividade laboral e a outras instituições sociais, nos direitos humanos e sociais.

Deste modo os pequenos Partidos de Esquerda só através de acordos com o PS é que poderão ter acesso ao exercício do Poder e, por essa via, influenciar ou defender questões que considerem estratégicas em troca da aceitação de outras soluções para problemas que se têm revelado irresolúveis.

O normal nas situações de acordos para o exercício governativo, como ocorre em diversos países, é de que para se salvaguardar objectivos que se considerem estratégicos (como é o caso das Privatizações ou a Segurança Social), possam ser garantidos a troco de outras questões que o parceiro pretenda obter.

Este princípio é válido para todas as situações de parceria ou seja “a arte do possível”.

Os eleitores da CDU e do BE podem questionar-se para que servem os seus votos, pois os mesmos não têm servido nem para obter nenhuma concretização dos seus objectivos e o mais grave, nem para salvaguardar nenhuma das conquistas do passado.

A verdade é que tem sido o PS a conseguir manter algumas conquistas da esquerda, ao conseguir assegurar o exerciço do Poder, através de acordos com a direita, por ausência de outros partidos de esquerda.

Por esta via a direita tem conseguido impor alguns dos seus princípios, situação que poderia ser diferente se os acordos de governação ocorressem à esquerda.

É deste modo compreensível o apelo do PS ao voto útil à esquerda pois a extrema esquerda não manifesta intenção nenhuma de pretender exercer o Poder através de acordos ou entendimentos parlamentares.

Para a generalidade dos Politólogos é inquestionável que a esquerda em Portugal é representada, maioritariamente, por três partidos:

  • PS representando a esquerda moderna, democrática e plural;
  • PCP assumindo-se como esquerda tradicional, dogmática e sectária;
  • BE com o papel de esquerda infantil, anarquista e Trotskista.

Perante a grave crise internacional que também nos atingiu, crise esta que teve origem nos EUA, Inglaterra e Japão, na base de práticas económicas neoliberais que estão a originar graves convulsões sociais em todo o mundo, como já é visível, e da qual Portugal dificilmente ficará imune, um governo PSD/CDS não têm base social que impeça, no nosso País, o eclodir de convulsões quando começarem a ser tomadas medidas económicas e sociais restritivas impostas pela Troika (BCE, CE e FMI).

Neste período de grande gravidade social só o PS, como grande partido da Esquerda democrática e plural, em conjunto com outros Partidos políticos, poderá constituir a base social necessária que permita a recuperação económica, efectuando as reformas exigidas e impedindo, simultaneamente, que se vá para além das mesmas como o pretende o programa neoliberal do PSD.


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