Publicado por: Duarte | 9 Dezembro, 2011

A Alemanha fora da zona euro Já

A História dá-nos diversos exemplos de finais trágicos para muitos Povos que se viram confrontados com a postura prepotente, autista ou chauvinista dos seus dirigentes, que arrastaram os seus cidadãos para desastres culturais, económicos, sociais e políticos de grande dimensão, como presentemente ocorre com a crise do euro.

As consequências, nestes casos, foram o sofrimento humano de inúmeros cidadãos abrangidos, que parece não ser relevante para os senhores Sarkosy e Merkel ao revelarem-se candidatos a coveiros do euro, com a sua postura individualizada à revelia dos outros 17 países da zona euro que, neste processo, têm sido tratados como subalternos.

É inquestionável também que a sra Merkel tem evidenciado a arrogância que dirigentes alemães como Frederico I (Barba Roxa), Bismarck e Hitler protagonizaram noutras épocas.

Na atual crise financeira do euro o que é que leva a sra Merkel a opor-se à opinião da generalidade dos países e da Comissão Europeia quanto à forma de solucionar o problema?

É birra ou ignorância? Não.

É, isso sim, a defesa dos interesses financeiros da Banca e dos banqueiros europeus e alemães em particular.

Como estamos recordados o Tratado de Lisboa da UE deixou claro que o Banco Central Europeu (BCE) só podia emitir moeda (euros), para emprestar aos Bancos o que tem vindo a fazer, cobrando 1% de juros.

Os Bancos por sua vez emprestaram aos diferentes governos europeus a juros baixos, nomeadamente à Alemanha, França, Holanda e Noruega e aos outros de 5% a 8%, como é o caso de Portugal, Irlanda, Grécia e agora a Itália.

Fica claro qual o objectivo que a sra. Merkel pretende atingir. Assegurar que os bancos continuem a enriquecer à custa dos cidadãos europeus, obrigando os governos a agravar a carga fiscal face ao aumento dos custos dos empréstimos bancários.

Este é o motivo pelo qual a sra Merkel não quer que o BCE emita Eurobonds (títulos de dívida) que permitia ao BCE emitir moeda e emprestar euros aos governos da zona euro, com juros idênticos aos que empresta à Banca.

Esta solução que é a praticada em todos os países que têm moeda própria (EUA, Inglaterra, Rússia, China, Brasil etc.) é inaceitável que não seja praticada na zona euro.

As justificações, teórica neoliberal, são duas, a de que esta é a forma de obrigar os governos europeus a conter o seu endividamento e de os Bancos, por esta via, poderem aumentarem a sua capacidade financeira para emprestar à economia privada e às famílias.

Esta teoria não resiste a uma análise crítica pois:

a) – se o BCE passasse a emitir Eurobonds para empréstimo direto aos Estados europeus com juros baixos naturalmente que imporia limites à sua concessão, dentro dos níveis de endividamento assumidos como razoáveis e, perante pretensões de endividamento para além desses limites teriam então que recorrer à Banca privada assumindo juros muito mais elevados.

b) – quanto à teoria de que a Banca é determinante para emprestar à economia privada e às famílias, não o questionamos desde que não seja na base da apropriação dos dinheiros públicos, cobrando juros elevados aos governos (6% em Portugal e 18% na Grécia) quando o recebem do BCE a 1%.

O cinismo da sra Merkel fica evidente em textos publicados nos jornais Diário Económico e Jornal de Negócios em 6/12/2011, que pode ver aqui e aqui, onde se descreve a forma como os governos da Alemanha e da Holanda têm vindo a beneficiar de toda esta estratégia ao referir, como exemplo, que em Novembro a Alemanha emitiu dívida no valor de 3.834 milhões de euros a seis meses com uma taxa de juros de 0,08% e dois dias depois, a 9 Nov., 1.525 milhões de euros a sete anos com juros de -0,4% ou seja, os Bancos privados que lhe emprestaram, perdendo dinheiro pois os juros são negativos, pagam o favor que o governo alemão lhes tem feito por duas vias:

 1ª – mantendo a obrigatoriedade de os Países europeus só terem acesso ao crédito através da Banca privada;

  2ª – assegurando a instabilidade criada a alguns governos europeus, com a ajuda das agências de Rating, pois os detentores de verbas excedentárias, na Europa, incluindo Portugal, Grécia, Irlanda e outros, estão a depositar esses valores nos Bancos que consideram mais seguros, na Alemanha e na Holanda, com as consequências destacadas aqui, em excelente artigo de Guilherme Statter.

Esta estratégia suicidária da sra. Merkel começa a ser posta em causa pois a crise que afectava alguns Países está a estender-se à Itália, França, Áustria e aproxima-se da Alemanha afectando o próprio euro, a galinha de ovos de ouro.

A Europa só sairá desta crise reduzindo o custo do seu endividamento, pois ao contrário do que se pretende fazer crer, este está muito abaixo do endividamento dos EUA, Inglaterra e Japão, e quando concretizar o federalismo, com uma governação económica e fiscal conjunta, aplicando taxas às operações e transacções financeiras e transferências bancárias e internacionais e o acesso ao BCE na base da emissão de Eurobods..

É a consciência que o problema é de inteira responsabilidade da sra. Merkele e dos seus banqueiros que já se ouve dizer “a Alemanha fora do euro Já” por serem os bloqueadores de uma solução credível.

Não concordando eu com este slogan, que começa a correr na Europa, não deixa de ser importante a sua mensagem por revelar o crescente entendimento de quem são os responsáveis pelo problema, que por interesse egoísta e não solidário para com os outros países, põem em causa o importante projeto europeu.


Responses

  1. “Não concordando eu com este slogan, que começa a correr na Europa, não deixa de ser importante a sua mensagem por revelar o crescente entendimento de quem são os responsáveis pelo problema, que por interesse egoísta e não solidário para com os outros países, põem em causa o importante projeto europeu.”
    Meu amigo faltou dizer porque vc não concorda vc não concorda com este slogan. Será porque vc acredita mesmo que a UE realmente seja necessária para evitar conflitos como os do passado, quando todos eles foram manipulados e arquitetados por baixo dos panos pela Banca Internacional, alemã principalmente, justamente para criar os meios e os marcos jurídicos que agora estão colocando em prática para enriquecerem mais e mais as custas do povo – (“”Fica claro qual o objectivo que a sra. Merkel pretende atingir. Assegurar que os bancos continuem a enriquecer à custa dos cidadãos europeus, obrigando os governos a agravar a carga fiscal face ao aumento dos custos dos empréstimos bancários…”) – como magnificamente foi descrito no decorrer deste artigo. Não tem como contemporizar com essa gente (chama isso de gente? Eu, hein?). E hora de levantar bem alto a bandeira da REFORMA DO SISTEMA FINANCEIRO MUNDIAL, antes que seja tarde, antes que eles tomem tudo pra si, de maneira a resolver de vez, sem paliativos, o principal problema da humanidade nos dias de hoje desde que a Banca particular apoderou-se da emissão da moeda e o controle do sistema monetário de cada país, que como um cartel, junto as corporações dominam o mundo; e com isso tirar das suas mãos, enquanto há tempo e antes que seja tarde, as ferramentas (o controle particular da emissão de dinheiro para o público) que os permitem através de vários meios escusos, (dinheiro não lhes faltam) como financiar campanhas de candidatos já anteriormente comprometidos com uma agenda por eles definida, em troca de alguma espécie de espelho em moldura de ouro onde o candidato(a) possa se admirar e pensar consigo mesmo(a): mamãe com cheguei tão alto(a)! Tua filha(o) não está linda(o) com essa faixa presidencial”. O Lula chegou a chorar quando nele a puseram. E não foi um chorinho qualquer; sério, tiveram que …bem, deixa, o negócio é que o homem derreteu ali mesmo; duplo sentido.

  2. Meu Caro
    referi e agradeci a informação aqui: http://puxapalavra.blogspot.com/2011/12/enquanto-os-perifericos-se-debatem-com.html
    Abraço


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