Publicado por: Duarte | 23 Fevereiro, 2012

Mitos do excesso da população Mundial

Com alguma frequência somos confrontados com o mito de que o planeta não suporta o que designam de “explosão do crescimento da população Mundial”, e de que estaria em grande parte aqui a base dos atuais problemas da sociedade e das suas crises.

Esta convicção é frequentemente acompanhada da afirmação de que a atual crise Financeira, económica e política é já um reflexo da escassez, a curto prazo, de matérias primas, água potável e alimentos.

Em Inglaterra, durante a revolução industrial geradora de uma acentuada melhoria da condições de vida, Thomas Malthus deu visibilidade ao mito da “explosão demográfica” ao defender que o crescimento populacional excedia a capacidade da terra de produzir alimentos, pois o crescimento populacional tinha um ritmo de progressão geométrica mas a produção de alimentos cresceria somente segundo uma progressão aritmética.

Malthus como solução propôs uma “restrição moral” aos nascimentos, proibindo os casamento entre pessoas muito jovens, a limitação do número de filhos entre as populações mais pobres, a elevação do preço das mercadorias e a redução dos salários, a fim de pressionar as famílias mais humildes a terem menos filhos.

Apesar da desmistificação deste mito foram vários os países que introduziram programas de esterilização das mulheres pobres ou distribuíram gratuitamente anti-anticoncecionais.

O que é inaceitável é o facto de na atualidade aparecerem defensores desta teoria, revelando uma incapacidade intelectual e cívica, pois muita e vasta documentação está disponível que nos dá outra dimensão desta problemática, permitindo-nos afirmar que a atual situação é perfeitamente controlável.

Para tal impõem-se que se faça uma descrição cronológica do crescimento da população mundial e os seus aspetos qualitativos:

  • Em 1802 o planeta atingiu os mil milhões de habitantes;

  • Em 1928 atingiu-se dois mil milhões -126 anos depois;

  • Em 1961 atingiu-se três  mil milhões – 33 anos depois;

  • Em 1974 atingiu-se quatro mil milhões – 13 anos depois;

  • Em 1987 atingiu-se cinco mil milhões – 13 anos depois;

  • Em 1999 atingiu-se seis  mil milhões – 12 anos depois;

  • Em 2011 atingiu-se sete mil milhões – 11 anos depois;

  • Em 2026 atinge oito mil milhões – 15 anos depois (previsão);

  • Em 2050 atinge nove mil milhões – 24 anos depois (previsão).

Conclui-se assim que de início, de escalão para escalão foi diminuindo o número de anos mas que, a partir de 1999, foi aumentando apesar de partirmos de uma população base maior ou seja, apesar do aumento da população mundial o seu ritmo de crescimento diminuiu a partir de 1963, de forma sustentada.

O quadro que aqui se reproduz demonstra que não se alterou significativamente a percentagem da população mundial, por continente.

Ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, que o crescimento deu-se por um aumento descontrolado da natalidade, a realidade demonstra que esse crescimento resulta fundamentalmente da redução da mortalidade infantil e do aumento da longevidade dos adultos.

As conquistas na área da saúde, como a descoberta dos antibióticos e de vacinas contra muitas doenças, assim como novos e mais baratos medicamentos, conjugado com uma mais elevada eficiência médica e criação de serviços públicos de saúde, foram determinantes para uma diminuição da taxa de mortalidade infantil e da população em geral, que deram um grande contributo para o aumento da longevidade da população mundial.

A crescente melhoria da situação ambiental, económica e habitacional das populações, foi também fator determinante para a redução da Taxa de Fecundidade, como o demonstra o facto de que, no ano de 1910, 50% das populações mundiais terem passado a residir nas cidades.

A evolução ao longo dos tempos da longevidade, que é medida pela “esperança média de vida à nascença”, era de 18 anos na Idade do Bronze, de 22 anos na antiga Roma, de 33 anos na Idade Média, de 42 no início do século passado e de 68 anos na atualidade.

Na Europa, presentemente, a esperança média de vida à nascença é de 83 anos.

O mito de que a “explosão demográfica” se deve ao excesso de natalidade é facilmente desmontado com a redução da Taxa de Fecundidade (número médio de filhos por mulher até ao fim do seu período reprodutivo), que a nível mundial era de 5,0 em 1950, reduziu-se na atualidade para 2,5, o que perspetiva, a médio prazo, que o crescimento da população Mundial ocorra somente na base do aumento da longevidade e da redução da mortalidade infantil, se entretanto outras medidas não forem implementadas, que recuperem a “Taxa de Fecundidade”.

Presentemente na Europa a “Taxa de Fecundidade” é de 1,53 (um casal já não chega a ter filhos que os substituam), na Ásia é de 2,02, na América do Norte é de 2,03, na América Latina de 2,3 e na Oceânia de 2,49 e, como atrás referimos, em processo decrescente.

Aos que pretendem fazer crer que o eventual excesso de população mundial está na base da atual crise financeira mundial lembramos que não se está em crise para produzir bens e serviços, mas sim para pagar dívidas e juros especulativos aos Bancos.


Responses

  1. Caro Dr. Duarte Nuno:
    O post e’ mesmo muito interessante, mas pode ser polemico aa luz do Pico Petrolifero.
    Sugeria que fizesse para os seus leitores uma resenha do livro “Colapso”, do Jared Diamond (existe uma traduçao portuguesa), que faz uma discussao extensa das nossas alternativas de sobrevivencia.
    Um abraço do
    Jorge Figueiredo

  2. Amigo e Sr. Duarte Nuno

    Tem muita acuidade no momento presente esta sua observação e digo-lhe que também eu, apesar dos meus parcos conhecimentos, consideroquea actual crise que se vive e alastra pelo Planeta tem a ver essencialmentecom a organização social e económica estabelecida,,que se mostra imprópria e inadecuada .
    O actual primado da liberazação e competição, leva inoxerávelmento ao domínio dos mais mais fortes e mais «espertos» sobre os mais fracos e menos perspicazes isto aplica-se aos vários níveis da estrutura da sociedade, começando ao nivel das famílias e comunidades locais até as nações e contitentes.
    Ora o homem não é um bicho,, porque se o homem fosse um bicho, «matava-se o bicho e acabava-se a peçonha».
    E como o homem não é bicho, quando se mata um homem, a sua morte é geradora de mais «peçonha» ,ao contário doque acontece com o bicho.
    E quando falo de matar, é um termo maximalista , pois quando se priva o homem das suas necessidades básicas de vida, estamos de algum modo a «matar» algo que nele se deveria desenvolver, gerando desse modo um reacção negativa que se vai repercutir na sociedade.
    Dessde que comecei a pensar por minha cabeça e nao por aquilo que os «midia» e seu manipuladores, leia-se ,- partidos que dominam os governos e o poder do capital,- querem que eu pense, eu descobri uma coisa bem simples que ja António Sérgio tinha muita razão, esse paladino do CCOPERATIVISMO.
    Resumindo e para concluir, a solução para esta epedemia económica que graça no Mundo, está simplesmente na COOPERAÇÃO e nunca na COMPETIÇÃO.

  3. Ok.. o crescimento não tem a ver com a taxa de natalidade, mas com a taxa de mortalidade. Mas isso nada nos diz sobre o tema a que se propunha debruçar no início do texto, o excesso de população!
    A questão que Malthus levanta é sobre a escassez de recursos naturais, e a abundância deles em nada depende da causa do aumento populacional.

  4. Caro Duarte Nuno,
    Interessante, claro e simples artigo.
    Sem dúvida que Malthus não tem nada a ver com a demografia, pelo menos na Europa.
    Se a taxa de fecundidade baixar para zero – (lembra-se daquela selecção de futebol de França que já só tinha pretos?) – os europeus serão todos de importação, de África e da Ásia.

  5. A população mundial tende a ser um tema controverso por arrastar implicitamente culturas, regimes e regras.
    .
    Só fará sentido falar globalmente quando a ONU tiver efectivos poderes executivos para gerir o universo político.
    .
    Enquanto o planeta for governado por cerca de 190 países, independentes, cada um dando palpites demográficos de acordo com os seus interesses económicos… podemos continuar a comentar mas, tudo ficará na mesma…

  6. O excesso de população NÃO É UM MITO.
    É UMA VERDADE óbvia demais para aqueles que acreditam que o planeta não existe apenas para acomodar os seres humanos e os seus rebanhos para abate.

    A medida que a polução humana cresce, as áreas naturais vão diminuindo. Dessa forma,toda a criação de Deus está sendo dizimada.

    Enquanto nós somamos 7.OOO.OOO.OOO (sete bilhoes) de habitantes,
    os GORILAS da montanha somam apenas 5000 indivíduos em todo o planeta.

    (Ressalte-se que os gorilas da montanha são comprovadamente seres RACIONAIS com elevado grau de humanidade e sensibilidade e há quem defenda a tese de que eles são uma outra espécie de seres humanos diferente da nossa, assim como eram os homens de Neandertal.
    Exemplo:
    HOMEM, MULHER e GORILAS são seres humanos.
    BOI, VACA, e BÚFALOS são seres BOVINOS.
    Búfalo é uma espécie de bovino, assim como gorila é uma espécie de humano, que só não fala porque o formato de um osso impede a articulação de um aparelho fonador; mas seu genoma é 98,6% igual ao nosso.)

    Existem centenas de outras espécies FABULOSAS de animais em extinção, que podem ser contadas em poucas unidades.

    ISSO VALE PARA TIGRES, LEÕES, URSOS PANDA, RINOCERONTES, HIPOPÓTAMOS, ELEFANTES, ONÇAS, CROCODILO GAVIAL,ETC ETC.

    Só um ser com egoísmo desmensurado pode querer ocupar o lugar de toda a criação de DEUS.

  7. Enquanto o número de pessoas cresce muito,os animais e plantas desaparecem . Se o ser humano precisa de melhor qualidade de vida ,o que dizer de tantos animais que a cada dia tem menos espaço no planeta? Sem falar que os bichos são mais humanos do que muitos seres que se dizem humanos.


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