Publicado por: Duarte | 29 Setembro, 2012

O mentiroso e o coxo

Todos estamos recordados que Passos Coelho e Paulo Portas, em plena campanha eleitoral para a Assembleia da República e após o início da ação governativa, afirmavam que tinham dois objetivos determinante para retirar o País da crise económica que se atravessava e que eram:

1º – Reduzir o défice das contas públicas;

2º – Reduzir e pagar a dívida pública (Dívida direta do Estado).

A estes dois objetivos básicos do governo e da Troika, a pergunta que todos fazem, face aos elevados sacrifícios que estão a ser exigidos, não tem tido uma resposta clara por parte do governo nem da Comunicação Social, pelas razões de subserviência que são conhecidas, embora estejam disponíveis quer nos relatórios e boletins do Eurostat, INE, Banco de Portugal ou da Agência de Gestão da Divida Pública.

A resposta a estas duas questões são desastrosas pois:

  • quanto à primeira os últimos dados das Contas Públicas (do 2º Trimestre de 2012 do INE) revelam um défice de 6,8% correspondente a um saldo negativo de 5.597 milhões de euros, quando o Orçamentado era de 4,5% ou seja, um desvio negativo de 2,3% que em termos percentuais é de 51%.

  • quanto à Dívida do Estado os dados já conhecidos, para o primeiro semestre de 2012 que corresponde a um ano de governação Passo Coelho, são um desastre pois aumentou 19.133 milhões de euros quando prometiam uma redução, como se pode ver no quadro seguinte.

1º ministro nº anos

Período de governo

Valores da Dívida Pública em milhões de euros

Acrésc. da Dívida em milhões euros

Média anual de endividamento

Cavaco – 9

1987 / 1995

17.050 para 54.379

37 329

4.147 milhões de euros

Guterres – 5

1996 / 2001

54.379 para 68.404

14 025

2.805 milhões de euros

Barroso – 3

2002 / 2004

68.404 para 84.027

15 623

5.207 milhões de euros

Sócrates – 7

2005 / 2011

84.027 para 168.880

84 861

12.122 milhões de euros

Passos – 1

20011 / 2012 *

168.888 para 188.021**

19 133

19.133 milhões de euros

*Valores correspondentes a Julho de 2011 (tomada de posse de Passos Coelho) a Julho de 2012

** As previsões apontam para uma Dívida Pública no final de 2012 de 198.000 Milhões de euros

Este quadro é bem elucidativo, demonstrando que em termos de “endividamento médio anual” o governo de Passos Coelho já ultrapassou largamente o Governo de Sócrates, com uma grande diferença, o José Sócrates ainda pode dizer que o aumento da dívida que promoveu está refletida nos novos hospitais, centros de saúde e lares que construiu, nas novas auto-estradas e nas escolas novas ou renovadas, no reforço dos programas sociais, nos programas POLIS que modernizaram e requalificaram os grandes centros urbanos, nos projetos de eficiência energética (eólica, fotovoltaica e hídrica), no plano tecnológico e das comunicações, no equipamento e modernização da Proteção Civil e no reequipamento, reforço e modernização das forças de segurança, assim como na Justiça, admitido que nem tudo foi feito da forma mais correta e transparente.

Quanto a Passos Coelho e Paulo Portas com o propósito de concretizar estes dois objectivos  reduzir o Défice e a Dívida Pública, neste primeiro ano de mandato governativo desencadearam um violento programa para além da Troika, de redução de salários (menos 3,1%) e das reformas, de destruição de empregos (menos -4,2%), aumento do desemprego em 152.000 (+ 2,8), redução de apoios sociais às IPSS e aos cidadãos, aumento violento dos impostos que deram origem a um desastre económico e social no País com milhares de pequenas e médias empresas a falir e a destruição da classe média, com consequências gravíssimas para o futuro do País.

Passos Coelho afirmou no início da sua governação que ”só vamos sair da crise empobrecendo” afirmação que não teve a coragem de dizer em plena campanha eleitoral, mas vale a pena recordar algumas das frases que proferiu nessa ocasião:

  • Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar o futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa“;

  • Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos“;

  • Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa“;

  • Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas“;

  • Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português“;

  • A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento“;

  • O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento“;

  • Já ouvi o primeiro-ministro (Sócrates) dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate“.

É caso para recordar o ditado: “mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo”, pelo que não é tolerável que o atual governo se mantenha em funções, pois há muito que perdeu credibilidade como o demonstram as sondagens mais recentes e as grandiosas manifestações dos dias 15 e 29 deste mês, contra a atual política governamental.


Responses

  1. […] Quanto à Dívida Pública anexo o mapa atualizado, que faz parte do artigo de opinião que publiquei em setembro passado, intitulado “O mentiroso e o coxo”. […]


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