Publicado por: Duarte | 25 Fevereiro, 2013

Onde está a oposição ao atual governo?

Acaba o Banco de Portugal de publicar as Contas Nacionais de 2012, com os dados referentes a diversos indicadores da atividade económica, social e financeira que são reveladores do enorme fracasso político do governo de Paulo Portas e Passos Coelho.

Não sendo os dados revelados uma surpresa, nomeadamente os do aumento do desemprego para 16,9% números nunca atingido, o PIB com uma recessão de -3,2%, a manutenção elevada do défice das Contas Públicas, mas o mais grave um elevado crescimento da Dívida Pública do Estado para 203,4 mil milhões de euros, no final de 2012, o equivalente a 122,5% do Produto Interno Bruto (PIB) na ótica de Maastricht.

Face a este enorme agravamento da Dívida Pública, a pergunta que muitos fazem é onde está a oposição ao governo que se tem mostrado incapaz de demonstrar a gravidade desta situação, pois a mesma atingiu um nível que não se pode gerir  face aos juros que lhe estão associados.

O agravamento da Dívida Pública desde que este governo tomou posse, em ano e meio, foi de 34,520 mil milhões de euros, quando afirmavam que iriam reduzir a Dívida Pública.

A passividade da oposição perante estes números, salvo algumas referencias tímidas e pouco esclarecedoras, não têm em conta que muitos portugueses estão convencidos que a violenta carga fiscal que os atinge, e os sacrifícios que estão a passar, são para pagar a Dívida que Sócrates deixou.

O mínimo que os líderes da oposição deveriam divulgar e esclarecer os cidadãos é que o empobrecimento, a que estes têm estado sujeitos, era para pagar as dívidas do País, o que não passa de um grande embuste.

Ou já se esqueceram que Paulo Portas e Passos Coelho, na oposição a Sócrates, exibiam diariamente o montante da Dívida Pública, procurando passar a mensagem de que o País estava a entrar em bancarrota.

A realidade é que agora é que o País está a entrar numa situação insustentável pois não só aumentamos a Dívida Pública como, em sentido inverso, diminuimos a riqueza criada, pois tivemos uma recessão em 2012, com o PIB de – 3,2%.

Quanto à Dívida Pública anexo o mapa atualizado, que faz parte do artigo de opinião que publiquei em setembro passado, intitulado “O mentiroso e o coxo”.

1º ministro nº anos

Período de governo

Valores da Dívida Pública em milhões de euros

Acrésc. da Dívida em milhões euros

Média anual de endividamento

Cavaco – 9

1987 / 1995

17.050 para 54.379

37 329

4.147 milhões euros

Guterres – 5

1996 / 2001

54.379 para 68.404

14 025

2.805 “ “

Barroso – 3

2002 / 2004

68.404 para 84.027

15 623

5.207 “ “

Sócrates – 7

2005 / 2011

84.027 para 168.880

84 861

12.122 “ “

Passos – 1e 1/2

20011 / 2012 *

168.880 para 203.400

34 520

23.013 “ “

*Valores correspondentes a ano e meio (Julho de 2011, tomada de posse de Passos Coelho, a Dezembro de 2012)

Sendo previsível que o endividamento se agrave, face aos graves erros de gestão do atual governo, será determinante que a oposição responsável faça uma denúncia diária desta realidade para que os cidadãos tenham uma clara noção do desastre para onde o País caminha, e se decida a pôr termo a este desgoverno que, para além dum elevado agravamento da Dívida Pública, tem estado a vender ao desbarato o património público, que resulta no empobrecimento dos cidadãos e do País.


Responses

  1. A oposição a este governo está fundamentalmente do PCP que faz o que pode e apesar do reduzido número de deputados têm travado muito das intenções mais graves da direita. Está na CGTP e nas organizações sindicais que com as suas lutas tem aumentado a consciência social e por isso a capacidade de resistência dos trabalhadores e do povo. Está noutras organizações de esquerda que apesar da sua fraca expressão é justo que se diga que têm feito o que podem e sabem. Está no aumento da indignação que se transforma em luta organizada e consciente. Está nalguns militantes dos partidos da troika PS, PSD, e CDS que têm rompido com a política de direita desses partidos. Aos que esqueci que me perdoem. Não devem ser muitos mais. Mas os que são já são uma força a respeitar.

  2. Ao que o E.Baptista elencou eu só acrescentaria : vamos a sentar todo esse povo a uma mesma mesa e tratar da alternativa de poder necessaria, que a desgraça e o sofrimento dos cidadãos reclamam com toda a urgencia!

  3. Meus caros Baptista e Hélio
    O meu texto não pretende subestimar as diversas formas de luta que todos os Partidos e Organizações Sociais travam, com grandes sacrifícios, contra o atual desgoverno deste País.
    O que pretendo como Politólogo é destacar a necessidade de os protestos e denúncias serem mais eficazes (atingirem o objetivo), mas também eficientes (utilizando menos meios e esforço).
    Se a mensagem fundamental que a atual maioria (PSD/CDS) utilizou na oposição e no início do mandato governativo, foi a de que o país estava endividado e na bancarrota, mensagem esta que foi interiorizada pelos cidadãos apesar de não ser verdadeira, o que se impõem é a utilização de uma mensagem sintética, curta e objetiva que desmonte a grande mentira em que vivemos.
    Para tal é importante que se tenha a noção de que as mensagens (políticas, comerciais, religiosas, etc.) podem ser uma entropia (mensagem com muita informação, longa e de difícil descodificação) ou uma redundância (mensagem com pouca informação, curta e de fácil compreensão).
    A mensagem do artigo que publiquei pretende ser uma redundância utilizado o mesmo tema (a dívida pública) que levou a atual maioria parlamentar ao Poder, com uma mensagem de fácil entendimento tal como ocorre presentemente com os homens e mulheres que nestes dias têm vindo para a rua cantar a Grândola Vila Morena que o cidadão interpreta, de imediato, como o querer de um novo 25 de Abril.
    Quanto à proposta do Hélio, estou perfeitamente de acordo com a necessidade de entendimento das diferentes forças políticas, que se opõem à atual política de empobrecimento que tem sido imposta aos portugueses, na base no princípio da negociação.

  4. Falar é fácil, gostaria de saber o que fariam se estivessem no lugar deles. Eu sou mais um de muitos PORTUGUÊSES que têm trabalho e que ganha pouco, sou funcionário público com um ordenado minimo e vejo os meus governantes a virem a público dizer que estamos muito mal e que temos que apertar ainda mais o cinto e por outro lado o srº presidente da repúlbica disse que não podiam ser sempre os mesmos a pagar a fatura do desgoverno em que nós meteram. Gostaria que esses ditos governantes e conselheiros de estado me podessem ensinar como viver com o ordenado minimo e pagar a minha renda de casa que é de 400 euros, mais água, luz, gás, etc…., ainda por cima temos os ditos senhores do FMI, a virem ao meu querido Portugal mandarem nas nossas coisas como se fossem os donos do universo. Tenho muito orgulho em ser a pessoa que sou hoje, posso não ter estudado com muita pena minha mas optei por ajudar os meus pais porque nasci numa familia pobre mas honesta, não posso dizer o mesmo de muitos politicos que nos governam. Fica aqui mais um comentario de um ser humano que sobrevive no limiar da pobreza.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: