Publicado por: Duarte | 9 Março, 2013

Ainda sobre a manif. “Que se lixe a Troika”

Estão de parabéns os organizadores da manif. de 2 de Março, “Que se lixe a troika”.

Pretendo no entanto fazer algumas observações, que espero sejam um contributo para que não se repita o que considero ter corrido menos bem na Manif. do dia 2 de março.

A mensagem, pelo que entendi, pretendeu atingir, no curto prazo, três objetivos.

1º – Consciencializar as pessoas de que este governo arrasta o País para o caos;

2º – Mobilizar os cidadãos para se manifestar;

3º – Que a dimensão dos manifestantes fosse esmagadora, em termos de imagem.

Considero que os dois primeiros objetivos foram plenamente atingidos, mas o 3º só parcialmente ou seja, atingiram em número mas não em imagem.

Esta última situação é exatamente aquela que tem sido explorada por todos os que não perdem nenhuma oportunidade para descredibilizar os objetivos dos promotores da manifestação.

E tinha sido fácil atingir o objetivo, de encher o terreiro do Paço e as ruas circundantes, se não tivessem tido a estratégia de imitar os Partidos tradicionais e a CGTP, de fazer uma manifestação em vez de terem inovado, fazendo uma concentração.

Era evidente que uma manifestação com um percurso de 3 Km levaria pelo menos duas horas a chegar ao destino, o que foi uma coisa penosa para muitos dos idosos que nela participaram, e as duas horas e meia de espera para quem estava no Terreiro do Paço.

Não se encheu o Terreiro do Paço porque, quando acabaram as intervenções no palco, a cauda da manif. ainda estava nos Restauradores e já se iniciava uma debandada para as estações do Metro, e na rua Augusta e da Prata era um caudal enorme dos que regressavam a casa ou seja, já eram mais os que saiam do Terreiro do Paço dos que nele entravam.

Ainda recentemente escrevi sobre a necessidade de destacar que os protestos e denúncias, serem mais eficazes (atingirem o objetivo), mas também eficientes (utilizando menos meios e esforço).

Para tal é importante que se tenha a noção de que as mensagens (políticas, comerciais, religiosas, etc.) podem ser uma entropia (mensagem com muita informação, longa e de difícil descodificação) ou uma redundância(mensagem com pouca informação, curta e de fácil compreensão).

Uma Praça cheia, a mensagem era uma redundância, a manif. funcionou como uma entropia.

Os que andam há mais tempo “nestas coisas” ainda se recordam que a concentração promovida pela oposição, na Alameda da Fonte Luminosa (que encheu), teve papel determinante na alteração da situação política no verão quente, após o 25 de Abril.

As pessoas que não foram à Alameda não ouviram os discursos mas viram as fotos, a mensagem passou por um simples olhar, na televisão ou pelas páginas dos jornais.

Outro exemplo, de redundância na mensagem, é aquele que a comissão organizadora da manif, de 2 de Março tem dado, colocando o país a cantar o Grândola Vila Morena, que as pessoas assumem como a necessidade de um novo 25 de Abril.


Responses

  1. Meu caro a razão é só esta :http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/210634.html


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: