Publicado por: Duarte | 6 Dezembro, 2013

O medo da “estagnação secular” nos EUA

No jornal Público de 2/12/2013 foi inserido um texto de Sérgio Aníbal onde se considerava que o “fraco crescimento nos EUA pode durar muitos anos” suportando a afirmação na ideia fundamental lançada pelo economista norte-americano Larry Summers (candidato derrotado na sucessão de Ben Bernanke na Fed), de que o atual período de fraco crescimento nos EUA, em que as taxas de juro nominais quase nulas já não chegam para reanimar a economia, pode estar para ficar durante muitos anos.

Referia ainda que “A crise está longe de ficar resolvida e ter a economia estagnada podendo mesmo ser o novo normal, avisou Summers, sugerindo que apenas com políticas económicas mais radicais (talvez taxas de juro nominais negativas) poderá ser possível evitar que os EUA caiam numa situação semelhante à vivida no Japão desde o início dos anos 90 do século passado”.

Refere também o Público que, “Em relação às causas de entrada nesta “estagnação secular”, que terá começado ainda antes da crise financeira internacional, Summers não foi muito específico. Mas outro economista norte-americano defensor desta teoria, Paul Krugman, avança com uma principal explicação:a taxa de crescimento muito baixa da população, especialmente a ativa”.

O texto termina dizendo que “O prémio Nobel, num artigo de opinião no The New York Times, assinala que, entre 1960/85, um período em que a economia dos EUA conseguiu crescer de forma rápida e sustentável, a população activa cresceu a uma taxa anual de 2,1%. Agora, as previsões apontam para que o crescimento anual deste indicador entre 2015 e 2025 não passe dos 0,2%”.

Pretendo com estas considerações recordar um artigo de opinião que publiquei há 14 anos, intitulado “ Vêm aí os imigrantes…”, que se pode ver aqui, onde procurava demonstrar que grande parte da prosperidade de países como dos EUA, Canadá e Austrália resultavam da recepção de milhões de imigrantes, como o demonstrou a UNESCO, na década de 70, ao quantificar o elevado valor de transferências de populações activas que todo o mundo fez para esses países, pondo em causa o mito de que o crescimento económico dos referidos países era resultante, fundamentalmente, de uma melhor organização da sociedade.

Estimava este organismo da ONU que os encargos que qualquer país tinha com a alimentação, educação, faltas ao trabalho pelos pais, vestuário, habitação, saúde, vacinação e outros encargos, de um cidadão desde a nascença até à idade de 18 anos, quando inicia a sua função na produção económica, cultural ou científica , era de 12.000 contos (60.000€) para um trabalhador indiferenciado, 15.000 contos (75.000€) para um quadro médio e 20.000 contos (100.000€) para um quadro superior.

Destacava eu nesse artigo que, “Na posse destes números fácil é de perceber que Portugal ao ter colocado um milhão de portugueses em França, nas décadas de 60/70, entregou aos franceses, nessa ocasião, 1.000.000×12.000 contos = 12.000.000.000 contos (doze mil milhões de contos – 60 mil milhões€), ou seja, os franceses receberam a custo zero, máquinas/humanas/ reprodutivas, no valor de doze mil milhões de contos (60 mil milhões€), com os quais não gastaram um tostão na sua aquisição, (nem sequer pagaram o transporte) e que uma vez em França passaram a produzir, limitando-se , os franceses, a pagar a conservação e manutenção dessas “máquinas humanas”.

Percebe-se assim o verdadeiro alcance das palavras de Paul Krugman se tiver-mos em conta que os EUA chegaram a receber anualmente dois milhões de imigrantes, quando presentemente só aceitam cerca de cem mil, para não agravar o elevado nível de desemprego, e porque já não têm terras para distribuir.

É evidente que o medo da “estagnação secular” nos EUA, começa a contagiar a Europa neoliberal.


Responses

  1. A estagnacao bem pode ser do Ocidente no seu conjunto, nao apenas dos EUA, como se ve neste novo artigo do Jorge Beinstein:
    http://resistir.info/crise/beinstein_dez13.html


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