Publicado por: Duarte | 27 Julho, 2014

Era previsível o fracasso de Portugal no Mundial de Futebol ?

Para muitos a resposta será a de que “prognósticos só depois do jogos”, no entanto eu afirmava, em conversas informais com amigos ou familiares, que a nossa seleção ficava pelo caminho nas primeiras fases do Mundial.

Não por responsabilidade dos jogadores pois tinhamos excelentes jogadores, mas pela forma de jogar que o selecionador impunha à equipa, forma esta que se caracterizava pelos designados “futebol evolutivo”, “futebol apoiado” ou “futebol assistido” que correspondem ao transporte de bola ao campo adversário através de passos curtos.

Esta forma de jogar, nos dias de hoje não dá golos, pois permite que a equipa adversária se coloque de forma ordenada à defesa, ou seja o que vulgarmente se designa de “pôr o autocarro à frente da baliza”.

Se pegarmos na estatística vemos que na generalidade dos campeonatos:

  • a equipa vencedora não é a que marca mais golos, mas o que sofre menos golos;

  • que cerca de 60% dos golos são de bola parada (cantos, livres e grandes penalidades);

  • que os outros 40% dos golos são quando se pratica um futebol com mais velocidade, também designado de “futebol direto”, ou seja quando estão no ataque, 1 para 1, 2 para 2 ou 3 para 3;

  • que quando se deixa reconstituir a defesa adversária, a possibilidade de marcar golos é residual.

É fácil de entender a última situação pois à defesa ficam 11 jogadores (22 pernas) e os que pretendem marcar golo são no máximo os três jogadores da frente (6 pernas) ou seja, são muitas pernas na defesa para tão poucas pernas no ataque.

Quanto às bolas paradas o selecionador nacional ainda não percebeu que à forma de marcar as bolas paradas que originam uma percentagem mais elevada de golos, e quem não percebe a importância das bolas paradas e a forma de as marcar, não sabe defender-se delas, veja-se o primeiro golo da Alemanha contra Portugal.

Estas questões já as coloquei em duas cartas dirigidas a Paulo Bento, no início da sua atividade como treinador do Sporting, publicadas simultaneamente no meu Blog, em que criticava o trabalho do treinador Peseiro, na esperança de que não se repetissem os mesmos erros.

A primeira (em Maio de 2006) intitulava-se “Uma carta a Paulo Bento”, que pode ser lida aqui, e a segunda (Maio de 2007) intitulava-se “Segunda carta a Paulo Bento”, ver aqui.

O terceiro texto (Setembro de 2009) que publiquei sobre estas questões, intitula-se “Quando é que Portugal deixa de jogar à brasileira”, ver aqui, onde tal como nos anteriores artigos coloco uma questão fundamental, a importância do “futebol direto”, pois como refiro dão cerca de 40% dos golos.

Lendo os três artigos publicados há mais de 8 anos, percebe-se facilmente porquê que a Alemanha, praticando “futebol direto”, ganhou o Mundial de futebol.

Paulo Bento sempre teve como objetivo imitar os grandes treinadores do século passado, mas nos tempos atuais era fundamental que tivesse capacidade de olhar para a estatística, assim como perceber o significado de eficácia e o de eficiência, que não são a mesma coisa.


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